Fome ameaça 1,25 milhão de pessoas no Sudão do Sul

Relatório divulgado pela ONU alerta para catástrofe humanitária no país, em meio à guerra civil que já dura quase cinco anos e dificulta o acesso da população à ajuda humanitária. Situação pode se agravar com secas.Em meio à guerra civil no Sudão do Sul, 1,25 milhão de pessoas correm risco de inanição em 2018, segundo um relatório das Nações Unidas divulgado nesta segunda-feira (06/11). Os números são duas vezes maiores do que os registrados no ano passado.

"A defasagem extrema e amplamente difundida no consumo de alimentos [...] deve fazer com que fiquemos extremamente preocupados com o pior cenário possível em diversos locais em todo o Sudão do Sul em 2018", afirmou Katie Rickard, coordenadora para o país da Reach, iniciativa de pesquisas humanitárias que forneceu os dados para o relatório.

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A causa apontada para o problema é o agravamento do conflito no país, que deixou mais de 50 mil mortos em quase cinco anos. Em fevereiro, a nação mais jovem do mundo declarou estado de fome em dois condados, onde mais de 100 mil pessoas estavam ameaçadas pela fome, sendo esta a primeira declaração formal do tipo desde a crise na Somália em 2011.

Segundo o Programa Alimentar Mundial da ONU, a rápida constatação do problema e as medidas imediatas adotadas evitaram uma catástrofe nos dois condados Sudão do Sul. Porém, a mais recente avaliação do Escritório Nacional de Estatísticas do país gera novas preocupações.

Em setembro, 6 milhões de pessoas – o que equivale a 56% da população – enfrentavam situações extremas de fome, com 25 mil em situação de catástrofe humanitária nos condados de Ayod e Grande Baggari, controlados pelos rebeldes.

A guerra civil praticamente impossibilitou a produção de alimentos no país e fez com que a entrega de ajuda alimentícia se tornasse difícil e perigosa. Organizações de direitos humanos pedem que as partes envolvidas no conflito viabilizem imediatamente o acesso das agências humanitárias.

"As forças do governo e da oposição usam a comida como arma de guerra, ao restringir o acesso dos civis aos alimentos e agir para impedir que os recursos cheguem a determinadas áreas, saqueando sistematicamente mercados e residências e até mesmo perseguindo civis que transportam pequenas quantidades de comida nas frentes de batalha", disse Alicia Luedke, pesquisadora da ONG Anistia Internacional.

Ao se reunir com o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, em outubro, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, expressou preocupação com as restrições do acesso de ajuda humanitária. Segundo seu gabinete, Kiir teria dito a Haley que seu governo, juntamente com a ONU, teria conseguido desenvolver "mecanismos para melhorar o acesso", mas reconheceu que esses esforços ainda não são suficientes.

A população e as organizações humanitárias temem que a situação possa se agravar ainda mais, enquanto se aproxima a estação das secas no Sudão do Sul.

RC/ap

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