Venezuela enfrenta hiperinflação, diz oposição

Em dez meses, inflação acumulada no país chegou a 825,7%. Análise é divulgada pela Assembleia Nacional, dominada por opositores. Governo Maduro parou de publicar dados econômicos há mais de um ano.A Assembleia Nacional da Venezuela, dominada pela oposição, anunciou nesta terça-feira (07/11) que a inflação acumulada no país entre janeiro e outubro deste ano chegou a 825,7%. O parlamento venezuelano condenou ainda a política econômica do governo de Nicolás Maduro.

De acordo com os dados divulgados pela oposição, a Venezuela enfrenta hiperinflação. As previsões apontam que a inflação acumulada para o ano de 2017 pode passar de 1.400%.

"A economia venezuelana já entrou, formalmente, num processo de hiperinflação. Isto é dramático. É um grande problema para o povo venezuelano", disse o deputado Ángel Alvarado, na abertura da sessão.

Segundo Alvarado, o Banco Central venezuelano segue "uma política de ocultação", pois há meses não publica o índice oficial de inflação.

O deputado alertou ainda que se a tendência foi mantida, a inflação no país pode chegar a 12.000% em 2018.

Há mais de um ano o governo parou de publicar dados sobre a inflação no país. Desde janeiro, a Assembleia Nacional vem divulgado suas próprias estatísticas, que são semelhantes as apresentadas por economistas independentes.

Durante os meses de julho, agosto e setembro, a inflação mensal registrada na Venezuela foi de 26 %, 33,7 % e 36,3 %, respectivamente. Em outubro, ela chegou a 45,5%.

A oposição acusa os governos de Maduro e de seu antecessor Hugo Chavez de terem destruído a economia do país com políticas socialistas de nacionalizações e controle cambial. Já o governo afirma ser vítima de uma "guerra econômica" e culpa empresários e opositores pela crise que o país atravessa.

Abalada pela queda dos preços do petróleo, a Venezuela enfrenta uma profunda crise econômica – caracterizada por uma recessão econômica, inflação e escassez de bens básicos.

A economia do país vem encolhendo de forma extrema, tendo diminuindo 36% nos últimos quatro anos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A produção de recursos primários, como o petróleo, também está em declínio por causa da falta de investimentos em infraestrutura.

CN/efe/rtr/lusa

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