Checkpoint Berlim: Ônibus de Aleppo chegam a Berlim

Clarissa Neher

Instalada em frente ao Portão de Brandemburgo, polêmica obra traz horrores da guerra na Síria à capital alemã. Instalação de artista teuto-sírio foi exposta inicialmente em Dresden e recebeu duras críticas.Imponentes, três ônibus em frente ao Portão de Brandemburgo atraem olhares e despertam a curiosidade de quem passa pelo símbolo de Berlim. Com 13 metros de altura, os veículos, posicionados na vertical onde antigamente passava o muro que dividida a cidade, escondem parte do monumento berlinense.

A polêmica obra do artista teuto-sírio Manaf Halbouni, intitulada Monumento, traz para o coração de Berlim os horrores da guerra na Síria. A instalação, que ficou conhecida como os ônibus de Aleppo, representa três ônibus que formaram uma barricada na cidade síria para proteger civis de atiradores.

Capital econômica da Síria antes do início da guerra civil, Aleppo foi palco de uma das batalhas mais sangrentas do conflito, iniciado em 2011, ficando praticamente em ruínas. Com a obra, Halbouni recriou uma das imagens mais emblemáticas dos confrontos.

O artista afirmou que o projeto, originalmente instalado em Dresden, refletia a esperança de que Aleppo fosse reconstruída, assim como aconteceu com a cidade alemã depois da Segunda Guerra Mundial.

A obra, porém, não foi muito bem recebida em Dresden, onde foi posicionada ao lado da Igreja de Nossa Senhora (Frauenkirche), símbolo da reconciliação pós-guerra e dos bombardeios à cidade.

Os protestos contra o projeto foram encabeçados pelo partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e integrantes do movimento anti-islã Pegida, que alegavam que a instalação pretendia acabar com a memória dos ataques aéreos em Dresden, além de ofuscar uma das principais atrações da cidade.

Exposta desde a última sexta-feira (10/11) em Berlim, a obra ainda não atraiu a atenção dos populistas de direita e foi recebida de braços abertos pelo governo local.

"A instalação deve promover o diálogo sobre a superação da destruição, do sofrimento e da guerra e sobre a possibilidade de reconciliação", destacou o secretário estadual de Cultura, Klaus Lederer, à emissora local rbb.

Lederer também ressaltou que, no local escolhido para receber a obra, a história e a atualidade se conectam. "[O Portão de Brandemburgo] representa a tradição democrática e livre e a luta pelo direito de liberdade", acrescentou.

Seguranças protegem, dia e noite, o Monumento em Berlim, para evitar que alguém tente escalá-lo ou danificá-lo. Um plano especial foi desenvolvido para outra ameaça: os vendavais que passam pela cidade no outono. A instalação resiste a ventos de até 110 quilômetros por hora. Caso a previsão indique temporais mais fortes, os ônibus serão removidos do local.

A obra ficará exposta em Berlim até o dia 26 de novembro, no âmbito de um festival de arte promovido pelo teatro Maxim-Gorki.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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