A conversa secreta entre filho de Trump e Wikileaks

Em plena campanha eleitoral, plataforma trocou mensagens com Donald Trump Jr. e fez, entre outras coisas, lobby para que Assange se tornasse embaixador australiano nos Estados Unidos.O filho mais velho do presidente Donald Trump revelou mensagens diretas enviadas por ele à conta do Wikileaks no Twitter. Donald Trump Jr. publicou na segunda-feira (13/11) uma série de capturas de tela que mostram conversações entre ele e a plataforma enviadas durante os estágios finais da eleição presidencial de 2016. O material foi submetido a comissões do Congresso americano que analisam o envolvimento da Rússia no pleito.

Nas mensagens, o Wikileaks pediu a Trump Jr. que impulsionasse nas redes sociais uma matéria crítica à então candidata presidencial democrata Hillary Clinton. A organização também tentou convencer Trump Jr. de vazar declarações fiscais do pai para "melhorar drasticamente" a percepção de imparcialidade do Wikileaks.

"Isso significa que a grande quantidade de coisas que estamos publicando sobre Clinton terá um impacto muito maior", argumentou o Wikileaks numa das mensagens a Trump Jr. "Porque não será compreendido como vindo de uma fonte 'pró-Trump' e 'pró-Rússia', algo sobre o que a campanha de Clinton está constantemente nos difamando."

As mensagens começaram em setembro de 2016 e foram até julho. Trump Jr. divulgou as dez capturas de tela algumas horas depois de a revista americana The Atlantic ter publicado um relato sobre o conteúdo delas.

Na conversação, o WikiLeaks pede também que Trump sugira que a Austrália aponte o fundador da organização Julian Assange para embaixador em Washington - em resposta à pressão dos democratas sobre os governos de Suécia, Reino Unido e Austrália.

"Aqui está toda a cadeia de mensagens com o Wikileaks, com minhas três respostas estonteantes, que um dos comitês do Congresso optou por vazar seletivamente. Que irônico!", escreveu Trump Jr. no Twitter.







Em comunicado, o advogado de Trump Jr., Alan Futerfas, disse que milhares de documentos, incluindo mensagens diretas, foram entregues às comissões do Congresso dos EUA que estão investigando a intervenção russa durante as eleições presidenciais de 2016.

"Deixando de lado a questão de por que e por quem esses documentos, fornecidos ao Congresso sob promessas de confidencialidade, foram vazados seletivamente, podemos afirmar com confiança que não temos preocupações com esses documentos e quaisquer questões levantadas sobre eles foram facilmente respondidas no fórum apropriado", afirmou Futerfas.

O senador democrata Richard Blumenthal, que faz parte da Comissão do Justiça do Senado, convocou um painel para citar mais documentos e forçar Trump Jr., que falou com a comissão em março, para testemunhar publicamente.

"Parece não haver uma explicação razoável para essas mensagens", argumentou Blumenthal.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, emitiu uma reação breve ao caso e declarou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não sabia da troca de mensagens entre Trump Jr. e Wikileaks.

"O vice-presidente nunca teve conhecimento de qualquer pessoa associada à campanha em contato com Wikileaks", disse a porta-voz Alyssa Farah. "Ele tomou conhecimento desta notícia de um relatório publicado mais cedo esta noite."

Quando indagado, em outubro de 2016, sobre correspondências da campanha de Trump com Wikileaks, Pence havia dito: "Nada pode estar mais longe da verdade".

PV/ap/afp

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