Opinião: Cooperação em defesa na UE chega mais que na hora

Bernd Riegert

Conquista histórica ou mais uma tentativa fadada ao fracasso? A ideia de cooperação militar entre atuais países-membros é mais velha que a própria União Europeia. Talvez desta vez dê certo, opina Bernd Riegert.Os problemas das Forças Armadas da União Europeia (UE) são conhecidos há muito tempo. O novo presidente dos Estados Unidos não foi o primeiro a colocar o dedo na ferida. Em diversos Estados do bloco, os Exércitos têm financiamento insuficiente, equipamento inapropriado, são pequenos demais, ineficazes, ou, como é o caso da alemã Bundeswehr, só parcialmente mobilizáveis, por não estarem preparados para tarefas modernas e a guerra na era digital.

Isso tudo deverá melhorar com a futura cooperação para a defesa, a que nem todos os países-membros da UE serão filiados. A iniciativa chega mais que na hora, pois a UE precisou de 17 anos para um consenso quanto ao princípio básico: a decisão sobre uma política de defesa comum para o bloco data do ano 2000, na cúpula europeia em Nice.



Porém, a nova união não significa, em absoluto, um Exército europeu unificado, integrado. Tal coisa faria sentido, mas não é praticável, por diversos motivos políticos. Este primeiro passo envolve, inicialmente, uma melhor coordenação no desenvolvimento e aquisição de armas, veículos e equipamentos. Projetar um caminhão para 23 Forças Armadas é simplesmente mais eficiente e barato do que ter de inventar tudo de novo, a cada vez. Uma constatação óbvia, mas para que os Estados da UE precisaram de décadas.

É claro que interesses político-industriais desempenham aqui um papel central. Cada nação deseja preservar sua própria indústria armamentista, até para não ficar inteiramente dependente dos EUA. Para alguns países da UE, armas são um importante bem de exportação.

Cabe ver se, no próximo grande projeto armamentista, lucratividade e eficiência se imporão como critérios. Apenas a vontade política de finalmente encarar essas lacunas, em si, já tem o seu valor.

A UE quer provar que melhor cooperação pode dar resultados. Em questões como impostos ou migração, a coordenação europeia tem tropeçado. Agora cabe justamente ao setor armamentista provar que o "projeto de paz" Europa tem relevância para os cidadãos.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a França e a Alemanha estão felizes de, com a união para a defesa, ter um novo projeto com o qual, excepcionalmente, quase todos estão de acordo. Ironicamente, a coisa só foi adiante porque o maior empecilho, o Reino Unido, se exclui voluntariamente.

A Otan, que, no fim das contas, é responsável pela defesa da Europa, observa o novo projeto com bons olhos, pois no longo prazo ele promete maiores gastos com armamentos e mais aptidões militares – urgentemente necessárias – para os europeus.

Alguns cidadãos afirmam que a coordenação armamentista da UE seria uma forma de impor limites em relação aos EUA. O governo Donald Trump provavelmente não vê a questão assim, até onde se pode deduzir das confusas declarações de Washington.

Enquanto os europeus estiverem dispostos a gastar mais e, assim, aliviar a carga dos EUA, está tudo bem com o comerciante Trump, que não tem uma estratégia política ou militar. A UE faz bem em se preparar, caso os EUA – ou melhor, Trump – quiserem reduzir sua presença militar na Europa ou suas regiões vizinhas.

Um primeiro passo foi dado em Bruxelas. Mas o caminho ainda é longo até a UE chegar a ser uma verdadeira potência militar. O bloco dispõe, por exemplo, de uma agência armamentista que em 13 anos produziu muita papelada, mas nenhum tanque conjunto.

A discussão sobre um Exército europeu é ainda mais antiga do que a própria União Europeia e suas antecessoras: em 1950 firmou-se uma resolução de cooperação militar semelhante. Ela nunca foi implementada. Talvez desta vez dê certo.

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