Ratko Mladic é condenado à prisão perpétua

Ex-comandante sérvio-bósnio é condenado por genocídio e crimes contra a humanidade e de guerra durante os conflitos étnicos na antiga Iugoslávia. Sentença é a última da corte criada para julgar os casos.O Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII) condenou nesta quarta-feira (22/11) o ex-comandante sérvio-bósnio Ratko Mladic à prisão perpétua por causa do massacre de Srebrenica e outros crimes de guerra, além de genocídio e crimes contra a humanidade.

Mladic respondeu a 11 processos por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Bósnia-Herzegovina de maio de 1992 até o fim de 1995 e foi considerado culpado em dez deles. A defesa havia pedido absolvição ou, no máximo, 15 anos de cadeia.

O antigo general de 75 anos continua a ser considerado um herói por muitos sérvios e insiste que é inocente. Rumores de que ele poderia não comparecer perante o tribunal em Haia não se confirmaram.

A sentença para Mladic foi a última do tribunal, criado para julgar os crimes cometidos durante os conflitos étnicos que destruíram a antiga Iugoslávia entre 1991 e 1999 (Croácia, Bósnia-Herzegovina e Kosovo). A corte será extinta em 31 de dezembro de 2017.

Chamado por detratores e familiares das vítimas de "o carniceiro dos Bálcãs", Mladic foi acusado de genocídio e crimes de guerra, incluindo o ataque de suas tropas ao enclave muçulmano bósnio de Srebrenica (cerca de 7 mil mortos) e o cerco a Sarajevo.

Mladic foi acusado pela primeira vez em 25 de julho de 1995. Ele permaneceu foragido da Justiça durante 16 anos até a sua detenção, em maio de 2011, quando foi transferido à corte para ser julgado.

O processo começou em maio de 2012 e, desde então, o tribunal escutou 377 testemunhos relacionados com o caso, 169 a pedido do promotor e 208 solicitados pela defesa do ex-militar.

As alegações finais por escrito do processo aconteceram em 5 de dezembro de 2016. Desde então o tribunal rechaçou várias solicitações da defesa para transferir Mladic de Haia para a Sérvia por motivos de saúde, a última em 5 de outubro. Ele já sofreu diversos ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais.

Desde sua criação em 1993, o TPII indiciou 161 pessoas por violações da legislação internacional cometidas no território da antiga Iugoslávia e já concluiu os processos contra 154 delas. Após a extinção do TPII, os casos pendentes passarão ao Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais.

AS/efe/lusa/rtr

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