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Vice de Mugabe assumirá presidência do Zimbábue na sexta

22/11/2017 10h12

Emmerson Mnangagwa, que deixou país após ser acusado de traição pelo ex-presidente, é considerado um linha-dura, tendo chefiado serviço secreto e Ministério da Justiça.O ex-vice-presidente do Zimbábue Emmerson Mnangagwa assumirá a presidência do país de forma interina após a renúncia do ex-presidente Robert Mugabe, informou nesta quarta-feira (22/11) a emissora estatal zimbabuana ZBC.

Após ser removido da vice-presidência por Mugabe, que o acusou de traição, Mnangagwa fugiu do país no início do mês temendo por sua vida. Ele deverá retornar a Harare ainda nesta quarta-feira. A imprensa local afirmou que Mnangagwa se refugiou na África do Sul.

Leia também: De libertador a tirano: a trajetória de Robert Mugabe

O líder do Parlamento zimbabuano afirmou que o partido governista o notificou que o ex-vice assumirá a presidência na sexta-feira.

Mugabe anunciou sua renúncia nesta terça-feira, encerrando quase quatro décadas de governo, pouco depois de o Parlamento do país abrir um processo de impeachment contra ele. A repentina queda de Mugabe se deve a uma disputa entre membros da elite zimbabuana para definir seu sucessor.

Os militares haviam tomado o controle do país depois de Mugabe ter manobrado para que a esposa dele, Grace Mugabe, de 52 anos, o sucedesse em detrimento de Mnangagwa, de 75 anos.

Grace, que é conhecida por seu estilo impulsivo e o gosto por artigos de luxo, costuma ser chamada de Gucci Grace pelos zimbabuanos.

Mnangagwa, apelidado de "crocodilo", mantém estreitas relações com os militares e é considerado um linha-dura, tendo chefiado o serviço secreto e o Ministério da Justiça.

Muitos no país duvidam da capacidade do ex-vice de Mugabe de levar adiante as reformas necessárias. Ele deverá enfrentar resistência de grande parte da população, que o acusa de participar ativamente na repressão levada a cabo pelo governo de seu antecessor.

Ele era o chefe da segurança interna do país nos anos 1980, quando Mugabe enviou uma brigada militar treinada na Coreia do Norte para pôr fim a uma insurgência de grupos rebeldes que, segundo organizações de direitos humanos, resultou na morte de cerca de 20 mil civis.

Nesta terça-feira, Mnangagwa divulgou um comunicado a partir do local onde está foragido, no qual exorta a população do Zimbábue a se unir para a reconstrução do país.

RC/ap/rtr/dpa