Violência marca abertura de congresso da AfD em Hannover

Dois policiais e um manifestante ficam feridos na primeira convenção da legenda populista de direita após eleições legislativas alemãs. Por volta de 8,5 mil opositores estão sendo esperados na capital da Baixa Saxônia.Policiais e manifestantes ficaram feridos neste sábado (02/12) durante protestos contra o congresso nacional da legenda Alternativa para a Alemanha (AfD), principal partido populista de direita no país, em Hannover.

As forças de segurança tiveram que usar canhões de água para dispersar os grupos de jovens que tentavam bloquear o acesso ao centro de convenções onde o evento está sendo realizado. Em diferentes pontos dessa região da cidade foram registrados confrontos entre agentes antidistúrbios e manifestantes.

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Pelo menos dois policiais ficaram feridos, sem gravidade. Além disso, um manifestante também se feriu ao ser retirado pela polícia após tentar se amarrar num tanque metálico.

Os protestos começaram por volta das 6h locais, três horas antes do início da convenção de dois dias da AfD, o que fez com que alguns delegados do partido se atrasassem para chegar ao evento. O congresso começou com uma hora de atraso.

O trânsito no entorno do centro de convenções já tinha sido interrompido pelas forças de segurança, que ainda tiveram que expulsar jovens que queriam bloquear as ruas e impedir a chegada dos delegados da AfD ao evento do partido.

Através do Twitter, a polícia de Hannover pediu para os cidadãos permanerem longe de qualquer ato violento durante o dia. Vários protestos estão marcados ao longo do sábado contra o congresso, um deles no centro da cidade, autorizado pelo governo local.

Eleição de copresidente

Pela primeira vez após a sua entrada no Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, a legenda populista de direita realiza um congresso partidário. O objetivo principal da convenção, que termina neste domingo, é definir uma nova cúpula e uma linha de atuação do partido, dividido entre uma corrente mais moderada e outra abertamente radical.

No dia seguinte às eleições legislativas de setembro, a AfD foi abalada pela decisão de sua então copresidente e nome mais midiático, Frauke Petry, de deixar o partido por discordar da linha radical adotada pela legenda. Desde a saída Petry, a AfD é presidida por Jörg Meuthen, cuja reeleição é vista como certa.

O estatuto partidário prevê para a AfD, no entanto, uma dupla liderança. Há disputas em torno de um segundo nome para a dupla presidência partidária, como também sobre uma eventual mudança estatutária a fim de permitir que Meuthen continue sozinho na chefia da legenda. A única candidatura anunciada até o momento para a vaga de Petry é a do ex-oficial do Exército e líder do partido em Berlim, Georg Pazderski.

Terremoto político

A Alternativa para a Alemanha causou um terremoto político nas eleições parlamentares de 24 de setembro, quando conseguiu ocupar assentos no Bundestag após obter 12,6% dos votos.

O total de 92 deputados federais da legenda populista de direita representa uma situação nunca vista na Alemanha em relação a partidos populistas de direita desde a Segunda Guerra Mundial.

A AfD, fundada em 2013 para reunir pessoas que se opunham à União Europeia, adotou um discurso abertamente xenófobo durante a crise migratória de 2015, quando o país recebeu mais de 1 milhão de refugiados. Dessa forma, o partido começou a ganhar eleitorado e chegou ao Bundestag.

Com base nesse sucesso, a AfD, que também está presente em 14 dos 16 parlamentos regionais, reúne cerca de 600 delegados neste fim de semana em Hannover, no norte do país.

No total, cerca de 8,5 mil opositores são esperados na capital da Baixa Saxônia, onde pretendem manifestar-se contra as políticas anti-imigração da AfD.

Milhares de policiais foram mobilizados para evitar embates e o sindicato da polícia GdP apelou à calma, depois dos confrontos que eclodiram durante o congresso do partido em abril, em Colônia, no oeste da Alemanha, em que vários policiais ficaram feridos.

CA/efe/afp/lusa

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