Chefe de inteligência diz que esposas e filhos de jihadistas alemães representam ameaça potencial

David Martin (jps)

Cerca de 950 alemães, inclusive mulheres, se juntaram ao Estado Islâmico. Após as derrotas militares do grupo terrorista no Iraque e na Síria, muitas dessas "voluntárias", agora com filhos, começaram a voltar.Hans-Georg Maassen, o chefe do Departamento de Proteção à Constituição da Alemanha (BfV, na sigla em alemão), advertiu neste domingo (03/12) que muitas das esposas e filhos de combatentes alemães do Estado Islâmico (EI) "se identificam profundamente" com o jihadismo. Dessa forma, eles passariam representar um grande risco à segurança da Alemanha se receberem permissão para voltar ao país europeu.

Em entrevista à agência de notícias DPA, Maassen também disse que, embora até agora não tenha ocorrido um grande movimento de retorno de combatentes alemães do sexo masculino ligados ao EI, é crucial começar a estabelecer procedimentos de segurança para quando isso acontecer.

Filhos e mulheres do EI

"Há crianças que receberam lavagem cerebral e foram altamente radicalizadas em escolas nas áreas controladas pelo EI", disse Maassen. "É um problema para nós porque muitas dessas crianças e adolescentes às vezes podem ser perigosos."

No que se refere à repatriação de mulheres das áreas anteriormente controladas pelo EI, o chefe da BfV advertiu que muitas "se tornaram tão radicalizadas e se identificam tão profundamente com a ideologia do EI que, para todos os efeitos, elas também devem ser identificadas como jihadistas".

Porém, segundo Maassen, Isso não significa que as mulheres repatriadas estariam preparadas para realizar ataques terroristas em solo alemão. "No entanto, temos que mantê-los sob vigilância".

As observações de Maassen vêm na esteira de reportagens publicadas na mídia alemã na semana passada que apontaram que o governo está considerando repatriar os filhos de combatentes alemães do EI.

Jihadistas alemães

O governo alemão estima que cerca de 700 muçulmanos que vivem na Alemanha representam um risco de segurança significativo, o que significa que eles estarão preparados para executar atentados terroristas. Maassen indicou que há várias mulheres nesse grupo, embora não tenha fornecido um número específico.

Quando o EI passou a controlar territórios no Iraque e da Síria a partir de 2014, cerca de 950 simpatizantes alemães viajaram ao Oriente Médio com o objetivo de lutar pelo grupo terrorista sunita. Entre essas pessoas, 20% são do sexo feminino.

Mas como EI continua a sofrer grandes derrotas militares e vem perdendo território, o número de jihadistas alemães que querem retornar para casa deverá aumentar. Cerca de um terço dos 950 alemães que se juntaram ao EI já voltaram – a maioria mulheres com crianças.

"Nós ainda não vimos nenhum fluxo significativo de combatentes do sexo masculino voltando para casa", disse Maassen. "Nós acreditamos que os ocidentais que ainda estão lutando com o EI pretendem permanecer lá até o fim, e só depois buscarão se instalar na Europa mais uma vez."

Do Oriente Médio para a internet

Embora EI esteja à beira da derrota militar no Oriente Médio, tendo perdido efetivamente todos os seus territórios importantes e permanecendo apenas em um punhado de bolsões no deserto, Maassen adverte que a guerra contra o radicalismo islâmico está longe de terminar.

Apesar de ter menos combatentes no front, o grupo jihadista tornou-se o que o chefe da inteligência doméstica da Alemanha descreveu como um "cibercalifado global".

Essas advertências foram repetidas neste domingo pelo presidente do Departamento da Polícia Criminal da Alemanha, Holger Münch.

"Nós vimos nos últimos anos que o chamado Estado islâmico é muito adaptável", disse ele à emissora alemã Deutschlandfunk, acrescentando que as redes jihadistas online foram estabelecidas há muito tempo e se mostraram particularmente difíceis de ser suprimidas.

Maassen também advertiu sobre o apelo da propaganda do EI em países europeus, que pede a potenciais jihadistas que eles travem a luta do grupo terrorista em seus próprios países.

"Eles estão dizendo 'você não precisa viajar à Síria e ao Iraque para lutar. Você pode ser um jihadista em casa também'", disse Maassen. "Portanto, muitos daquelas que já tinham preparado suas malas para viajar ao Oriente Médio decidiram em vez disso ficar em casa."

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