Ministro alemão vê acordo do Brexit como modelo para Turquia e Ucrânia

Sigmar Gabriel, à frente do Ministério do Exterior da Alemanha, afirma que pacto para laços futuros entre União Europeia e Reino Unido pode guiar relação com Ancara e Kiev, que desejam se aproximar do bloco.O ministro alemão do Exterior, Sigmar Gabriel, afirmou que um acordo entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido para as relações entre ambos após o Brexit pode servir de exemplo para os laços com Turquia e Ucrânia – que desejam se manter próximos do bloco, mas ainda não estão prontos para a adesão.

"Não posso imaginar a Turquia ou Ucrânia se tornando membros da UE nos próximos anos", disse Gabriel, em entrevista ao grupo de mídia Funke publicada nesta terça-feira (26/12). "Por isso temos que pensar em formas alternativas para uma cooperação mais próxima", acrescentou.

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"Se conseguirmos um acordo inteligente com o Reino Unido que regule as relações com a Europa após o Brexit, ele pode ser um modelo para outros países: Ucrânia e Turquia", afirmou o ministro.

O Reino Unido conseguiu neste mês aluz verde de Bruxelas para iniciar conversações sobre sua futura relação com a UE. Londres diz aspirar que, como ex-membro, sua relação com o bloco seja mais próxima do que a mantida entre Bruxelas e outros países.

A Turquia, candidata à adesão à UE há décadas, já mantêm uma união alfandegária com a UE, a qual permite o comércio da maioria das mercadorias sem impostos. Uma possibilidade seria oferecer a Ancara uma "forma nova e mais próxima da união alfandegária". "Mas isso não é possível enquanto a situação [política] na Turquia não mudar", ressaltou Gabriel.

Milhares de pessoas, incluindo cidadãos alemães, foram detidos na Turquia como parte da resposta de Ancara a uma tentativa de golpe militar fracassada, em julho de 2016.

O ministro apontou como um bom sinal o fato de vários alemães presos na Turquia terem sido recentemente libertados. No entanto, Berlim ainda se preocupa particularmente com o destino do jornalista Deniz Yücel, correspondente do jornal alemão Die Welt detido na Turquia.

No caso da Ucrânia, um acordo de livre-comércio com a UE entrou em vigor em setembro, com o objetivo de facilitar o comércio de mercadorias, serviços e capital, além de eliminar a necessidade de vistos para viagens curtas.

O desejo de estabelecer uma relação mais próxima com a UE foi um dos motores de uma revolta popular que derrubou o presidente ucraniano pró-Rússia Viktor Yanukovych, em 2014. A manobra levou Moscou a anexar a península da Crimeia e apoiar separatista pró-Rússia no conflito no leste da Ucrânia.

O Partido Social-Democrata (SPD), de Gabriel, está preparando sondagens com os conservadores da União Democrata Cristã (CDU), da chanceler federal Angela Merkel, e da União Social Cristã (CSU) em busca de uma nova coalizão de governo para os próximos quatro anos.

LPF/dpa/rtr/afp

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