Venezuela liberta mais de 40 opositores em três dias

Governo fala em gesto de reconciliação, mas ativista diz que objetivo é reduzir custos representados por detentos. Libertação de presos políticos é uma das condições apresentadas pela oposição em negociações com governo.Em três dias, 44 opositores do governo na Venezuela, presos após protestos, foram libertados por recomendação da Comissão da Verdade do país.

"Esta é a lista de 44 presos políticos libertados (com restrições) desde 23 de dezembro até agora", publicou no Twitter o diretor-executivo da ONG venezuelana Fórum Penal, Alfredo Romero, nesta segunda-feira (25/12).

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No sábado, a presidente da Assembleia Nacional Constituinte, que também lidera a Comissão da Verdade, Delcy Rodríguez, informou que o órgão recomendou à Justiça que mais de 80 detidos pelos protestos de 2014 e 2017 recebam medidas substitutivas de prisão, como trabalho comunitário.

Pouco depois, Rodríguez garantiu que vários dos presos passariam o Natal com as famílias, afirmação que começou a ser cumprida entre a noite de sábado e a madrugada de domingo. Ela disse se tratar de um gesto de "reconciliação".

Romero, no entanto, ressaltou que as libertações equivalem a apenas 16% dos presos políticos, pois cerca de 280 permanecem detidos. Para o representante do Fórum Penal, ao governo do presidente Nicolás Maduro interessa reduzir o número de presos para diminuir os custos que eles representam.

Entre os libertados está Alfredo Ramos, prefeito de Irribarren, que foi presos em julho e recebeu uma pena de 15 meses de prisão.

Negociações para sair da crise

Em 2014 e em meados deste ano, a Venezuela foi palco de uma série de protestos contra o governo, que juntos deixaram mais de 150 mortos e centenas de detidos, além de danos avaliados em milhões de dólares.

A liberdade de todos os classificados pela oposição como presos políticos é uma das petições dos antichavistas nos diálogos realizados na República Dominicana para buscar uma solução para a crise que a Venezuela vive há meses. O governo rejeita o termo "presos políticos".

Além disso, a oposição exige mudanças no Conselho Eleitoral, a restituição dos poderes do Parlamento – de maioria opositora – e a abertura de um canal humanitário para a entrada de alimentos e remédios.

O oficialismo, por sua vez, pede a aceitação da Assembleia Constituinte, órgão composto apenas por integrantes do governo e não reconhecido pela oposição e vários países. As negociações entre governo e oposição serão retomadas nos dias 11 e 12 de janeiro na República Dominicana.

LPF/efe/lusa/dpa

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