Checkpoint Berlim: A volta dos alces

Clarissa Neher

Espécie considerada extinta na Alemanha está se tornando presença constante nas florestas de Brandemburgo. Alces já habitavam a região há quase 11 mil anos antes de Cristo.Há milhares de anos, os alces eram uma espécie comum na região de Berlim. Um fóssil datado de quase 11 mil anos antes de Cristo foi encontrado na cidade em 1956, durante uma obra para a construção de uma linha de metrô. Porém, desde a segunda metade do século 20, a espécie é considera extinta dentro da Alemanha.

Desmatamento e caça fizeram com que um dos moradores mais antigos do norte da Alemanha sumisse desta região. Mas, nos últimos anos, a espécie, que ainda é presente na Polônia, parece estar com saudade das florestas alemãs e, cada vez mais, alces são avistados no estado de Brandemburgo. Somente neste ano, autoridades receberam 13 notificações de pessoas que viram o imponente animal, cuja altura pode passar dos dois metros. Sua presença é registrada cada vez mais perto de Berlim.

Especialistas, porém, descartam que haja 13 alces na região e calculam que atualmente cerca de cinco animais tenham cruzado a fronteira com a Polônia para viver na Alemanha. No país vizinho, devido a medidas para evitar a extinção da espécie, o número de animais subiu de 8 mil para 16 mil nos últimos anos. Esse crescimento seria um dos motivos que estaria levando os alces a atravessar a fronteira em direção ao oeste, principalmente os mais novos.

Depois de sua extinção em território alemão, alguns alces da Polônia chegaram a se arriscar em passeios pela então Alemanha Oriental. A aventura, no entanto, podia acabar em tragédia: por serem considerados um problema no país socialista, os corajosos que ultrapassavam a fronteira eram caçados. Com a reunificação alemã, a caça da espécie foi proibida e, por isso, o número de animais parece estar aumentando em Brandemburgo.

A volta dos animais tem causado alguns problemas. Em setembro, um alce foi atropelado numa rodovia perto de Berlim. Diferentemente de outros animais, os alces costumam ficar parados no meio da estrada e não se assustam com os carros. Motoristas podem ser pegos de surpresa com essa reação e, então, a colisão é garantida. Desde o ano 2000, foram registrados quatro acidentes com alces.

O número de atropelamentos é relativamente pequeno, mas pode crescer com aumento do número de animais. Para saber exatamente quantos alces já habitam Brandemburgo, o governo do estado trabalha atualmente num mapa. Um formulário online foi disponibilizado para quem avistar o animal.

Além de dar um panorama sobre a espécie na região, o mapa vai ajudar a orientar o governo em relação a medidas para evitar acidentes nas estradas e indicar onde seria necessário aumentar as placas e barreiras de proteção.

Por enquanto, o único alce de Berlim continua sendo o encontrado na década de 1950, que ficou conhecido com o Alce da Praça Hansa. Para quem deseja avistá-lo, seu esqueleto está exposto no Novo Museu, na Ilha dos Museus, onde é uma das principais atrações.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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