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Estudo afirma que falta de perspectiva estimula violência entre refugiados

03/01/2018 14h10

Especialistas relacionam aumento da violência na Alemanha aos refugiados, mas dizem que propensão a cometer crimes é maior entre os que não têm perspectiva de futuro no país e destacam importância da integração.Um estudo encomendado pelo governo alemão relacionou o aumento da criminalidade no país com a falta de perspectivas para jovens refugiados, especialmente homens. Segundo o estudo, divulgado nesta quarta-feira (03/01), a alta nos dois últimos anos se deve principalmente à chegada de refugiados ao país.

O estudo toma como base o estado da Baixa Saxônia, onde a polícia registrou um aumento de 10,4% nos crimes violentos entre 2014 e 2016. Cerca de 13% dos casos esclarecidos foram cometidos por refugiados, que, porém, são os principais responsáveis pelo aumento no número de casos: a parcela deles no aumento da violência é de 92,1%.

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Os criminologistas Christian Pfeiffer, Dirk Baier e Sören Kliem observaram que, no que tange à criminalidade, há uma grande discrepância entre os países de origem dos criminosos: apesar de serem apenas 1% dos refugiados na Baixa Saxônia, naturais da Tunísia, do Marrocos e da Argélia respondem por 17% dos crimes violentos cometidos por refugiados e por 31% dos furtos e roubos.

Já refugiados oriundos da Síria, do Iraque e do Afeganistão, mesmo integrando um grupo que é mais da metade dos refugiados no estado (55%), cometeram 35% dos atos violentos e 16% dos roubos e furtos. Os especialistas concluíram daí que a baixa perspectiva de permanecer na Alemanha eleva a disposição para cometer crimes.

"Quem, na condição de refugiado de guerra, vê para si mesmo boas chances de poder ficar na Alemanha, vai se esforçar para não colocar essa perspectiva em risco por meio de crimes", analisam os autores. Cidadãos da Tunísia, do Marrocos e da Argélia têm poucas chances de terem o pedido de refúgio reconhecido.

Assim, os especialistas sugerem ao governo que a melhor opção para evitar crimes violentos praticados por jovens refugiados é melhorar as condições de integração deles na sociedade através de atividades como cursos de idiomas, esportes e estágios profissionalizantes.

Ao mesmo tempo, o governo deve incentivar o retorno daqueles que não podem permanecer na Alemanha, por exemplo com a concessão de crédito para o requerente se estabelecer no seu país de origem. Em entrevista à televisão alemã, Pfeiffer disse que o governo deveria disponibilizar cerca de 1 bilhão de euros para o incentivo ao retorno.

O estudo também estaca a importância da família e do convívio com mulheres para diminuir a disposição à violência de homens jovens. Segundo os criminologistas, as mulheres têm um efeito civilizador e de prevenção da violência. "A exigência de concessão de refúgio às famílias encontra aqui uma justificativa criminológica", afirmaram.

Eles lembraram ainda que, em qualquer lugar do mundo, homens entre os 14 e os 30 anos são o grupo que mais comete crimes, e esse grupo predomina entre os refugiados que chegaram à Alemanha. Além disso, uma cultura machista, comum nos países islâmicos, também desempenha um papel na disposição de jovens a cometerem atos violentos.

Os especialistas ainda ressalvaram que a disposição das vítimas para registrar um crime na polícia é maior quando o criminoso é de um outro grupo étnico ou quando vítima e criminoso não se conhecem, o que acaba distorcendo as estatísticas.

As conclusões dos pesquisadores estão em acordo com alguns estudos que sugerem que os crimes violentos aumentaram durante a crise migratória, ainda que outras pesquisas rejeitem a associação entre o aumento dos crimes e a migração. Desde 2015, mais de um milhão de refugiados chegaram à Alemanha, muitos fugindo de conflitos ou da pobreza em países do Oriente Médio, África e Ásia.

RC/dw/dpa/rtr/epd/kna

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