Zeitgeist: Confronto com Coreia do Norte é também choque de duas abordagens

Alexandre Schossler

Isolamento ou aproximação? Trump e Shinzo Abe apostam na primeira, enquanto presidente sul-coreano defende a segunda. De certo, só uma coisa: Kim Jong-un não vai mais abrir mão de seu programa nuclear.O imbróglio nuclear envolvendo a Coreia do Norte é também um embate entre duas abordagens bem distintas para lidar com o país mais isolado do mundo. Uma é a do confronto e isolamento. A outra é a da aproximação.

Três importantes aliados estão hoje divididos nessa questão. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, defendem a primeira abordagem, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, no poder desde o início de 2016, é partidário da segunda.

Leia também: A estratégia de Kim ao oferecer diálogo à Coreia do Sul

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, para quem estratégia geopolítica é algo literalmente vital, sabe disso. E analistas afirmam que a recente oferta de diálogo feita por ele à Coreia do Sul visa sobretudo dividir ainda mais os três aliados, principalmente os EUA e a Coreia do Sul.

Moon é herdeiro de uma tradição: a da chamada Política do Sol, criada e adotada por um de seus antecessores, o presidente Kim Dae-jung. De 1998 a 2007, ela foi a política oficial da Coreia do Sul para a Coreia do Norte e colaborou para a aproximação entre os dois países irmãos. Em 2000, Kim Dae-jung ganhou o Prêmio Nobel da Paz por causa dela.

Moon, um social-liberal, já apoiava o diálogo com a Coreia do Norte mesmo antes de assumir o cargo. Em linhas gerais, pode-se dizer que a aproximação é a política defendida pelos partidos liberais de esquerda na Coreia do Sul e no Japão – e é também a do ex-presidente americano Barack Obama.

Já o outro lado desdenha essa abordagem por completo e afirma que ela só serviu para a Coreia do Norte ganhar tempo – e esse foi usado para avanços no programa nuclear. Sanções e isolamento até que os norte-coreanos mudem de ideia seriam, portanto, a melhor opção.

Só que os norte-coreanos não vão mudar de ideia e renunciar ao que já conquistaram. Eles investiram muito no seu programa nuclear, e a posse de armas nucleares é tida pelo regime como essencial para a sua sobrevivência. Conversações, se vierem a ocorrer, podem até resultar num acordo, mas ele só sai se nele constar o reconhecimento da posse de armas nucleares pela Coreia do Norte.

Kim, segundo dá a entender sua mensagem de Ano Novo, parece estar se preparando para entrar na fase seguinte de uma estratégia de longo prazo: garantida a existência do regime, parte-se para uma certa abertura ao exterior aliada ao crescimento econômico. Os próximos meses vão mostrar se é esse mesmo o plano dele.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que recebe no dia a dia.

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