Opinião: Era Merkel está chegando ao fim

Jens Thurau (av)

Em meio à novela para formação de governo, alemães estão fartos de sondagens e manobras e querem resultados. Mas pesquisas mostram que melhor época já passou para a "eterna chanceler", opina o jornalista Jens Thurau.Entusiasmo parece ser algo diferente: apenas 45% dos cidadãos da Alemanha acham bom as conservadoras União Democrata Cristã e Social Cristã (CDU/CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD) fazerem mais um esforço e continuarem governando em coalizão. Isso é o que mostra o levantamento Deutschlandtrend realizado no início de 2018 pelo instituto de pesquisa de opinião Dimap.

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A percentagem é significativamente menor do que quatro anos atrás, e mesmo naquela época já havia críticas ao governo entre os grandes partidos alemães. Por outro lado, Angela Merkel até que aparece relativamente bem na enquete: 65% acham que, no fim das contas, a líder da CDU é uma boa chanceler federal. Um resultado com que muitos chefes de governo de democracias parlamentares de todo o mundo, sob a pressão da globalização acelerada e do nacionalismo, só podem sonhar.



Além disso, na opinião de admiráveis 70%, Merkel representa estabilidade para a Alemanha. É desse crédito inflacionado de que a democrata-cristã tem se nutrido há anos: ninguém jamais a considerou uma ousada reformadora, ou mesmo uma visionária, mas sim uma âncora em meio à insegurança, uma personalidade que simplesmente mantém a calma em tempos turbulentos. Não soa excitante, mas descreve bem as expectativas: há poucas coisas de que os alemães tenham mais medo do que da ingovernabilidade.

Ao mesmo tempo, entretanto, eles pressentem que a era Merkel está chegando ao fim. Para 75% é hora de uma renovação da CDU; e 67% acham que a líder conservadora já deixou para trás sua melhor época como chefe de governo. E quando quase a metade dos entrevistados afirma não saber muito bem o que ela representa, isso também lança uma luz reveladora sobre o estilo político que anos a fio foi a receita de sucesso da chanceler federal.

Num momento em que as fissuras dentro da sociedade vão se alargando, em que coesão e segurança se esvaem, a tática merkeliana da mão calma, de evitar temas polêmicos, se torna cada vez menos atraente: 45% até mesmo admitem a ideia de ela passar o poder a um sucessor já nos próximos quatro anos.

Portanto, apenas uma minoria é a favor de o governo de coalizão entre conservadores e social-democratas encarar mais um mandato. E se tal não der certo, então 54% preferem novas eleições legislativas. Ainda em dezembro, a preferência, nesse caso, era por um governo de minoria, mas as opiniões mudaram – um claro indício de que também desaparece a confiança na eterna chanceler federal.

Tudo bem tê-la à frente de uma "grande coalizão" CDU/CSU-SPD por mais uma legislatura – mais, não. Contudo, os eleitores não conseguem mais imaginar sua chefe de governo como líder de um experimento político com um governo sem maioria, tendo toda vez que justificar o que planeja e o que quer. E nem ela mesma, como tem repetidamente deixado claro. Nesse ponto, Merkel mostra um senso aguçado em relação ao que as pessoas acreditam de que ela seja capaz e do que não.

O que significa isso tudo para as sondagens de coalizão deste domingo (07/01) e, depois, para as eventuais negociações? A coisa precisa andar depressa, as pessoas estão fartas de sondagens e manobras táticas, dos intermináveis talk shows com potenciais parceiros de governo.

Resumindo, a mensagem da pesquisa Deutschlandtrend de janeiro é: sentem-se juntos, cheguem a um acordo, concentrem-se no essencial. Parece que lentamente CDU, CSU e SPD estão compreendendo isso: agora eles querem concluir logo suas sondagens, renunciando, na medida do possível, a vaidosas aparições midiáticas. Vejamos quanto tempo as boas intenções vão durar.

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