Por que Trump não tem tempo para a Europa

Elizabeth Schumacher (av)

Para quem se espanta com a quase ausência dos aliados internacionais dos EUA no best-seller "Fogo e fúria", a explicação é simples: além de inexperiente em política externa, Trump está sempre com a cabeça em outro lugar.O best-seller instantâneo Fire and fury: Inside the Trump White House (Fogo e fúria: Por dentro da Casa Branca de Trump), do jornalista Michael Wolff, revela os bastidores de uma presidência caótica e malfadada, cheios de suculentas histórias de deslealdade, acusações de traição da pátria, brigas internas e xingamentos.

No entanto, o que talvez chama mais a atenção dos aliados dos Estados Unidos, pelo mundo afora, é aquilo que deixa de ser mencionado, ou seja: quase todos os demais países do mundo e seus líderes, com exceção da Rússia e da China.



Para quem está perplexo com o comportamento errático de Donald Trump tanto em relação à União Europeia quanto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o livro de Wolff fornece uma explicação possível. O presidente parece ofuscado demais e sobrecarregado pelo cargo, concentrado nos problemas internos de sua administração, e insuficientemente competente para cuidar de relações internacionais cruciais.

O Reino Unido, geralmente considerado o mais antigo e mais importante amigo dos EUA, só vem mencionado uma vez, de passagem, assim como sua líder, Theresa May (num parágrafo referente à disposição de assentos), e a UE. Não há qualquer menção à Alemanha contemporânea (embora os nazistas apareçam algumas vezes), a chanceler federal Angela Merkel ou à França. O mesmo se aplica à maioria dos aliados europeus de Washington.

Com a cabeça em outro lugar

De acordo com Wolff, que passou meses realizando entrevistas e observando a rotina da Casa Branca, Trump contava que sua visita de 24 horas a Bruxelas, em maio de 2017, consolidaria "a linha entre a política externa baseada na aliança ocidental, firmemente sedimentada desde a Segunda Guerra Mundial, e a nova ética de 'America First'".

Infelizmente para o chefe de Estado republicano, essa breve passagem pela Europa foi obscurecida pela cobertura da investigação sobre o presumido conluio entre sua campanha eleitoral e agentes russos, conduzida por Robert Mueller.



Uma segunda chance de estabelecer laços se apresentou em julho, durante a cúpula do G20, na cidade alemã de Hamburgo. Mas, segundo Wolff, contudo, o presidente e sua equipe passaram a maior parte do tempo ocupados com as revelações de que Donald Trump Jr. teria se encontrado com advogados russos na Trump Tower, durante a campanha; assim como de que o genro Jared Kushner teria laços financeiros com empresários russos.

"Quando o presidente e sua equipe juntaram as cabeças no avião, o assunto central não era a conferência, mas sim como reagir à história do Times sobre o encontro de Don Jr. e de Jared na Trump Tower."

Obrigado, Mr. Trump

A Casa Branca desabonou Fire and fury como "mentiras" e enviou uma carta à editora Henry Holt & Co para sustar a publicação do livro. Em resposta, a companhia antecipou o lançamento para a sexta-feira (05/01), em vez de a semana seguinte, como previsto.

Wolff, por sua vez, apresentou registros de suas entrevistas, tanto com o presidente Trump como com diversos de seus assessores – inclusive o ex-estrategista-chefe Steve Bannon –, como prova de que as narrativas apresentadas no livro são verdadeiras.

No dia do lançamento antecipado, Michael Wolff jocosamente agradeceu a Trump por incrementar as vendas de seu livro, na tentativa de proibi-lo.

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