Rede de supermercados holandesa é acusada de racismo

Em material de curso para funcionários, empresa apresenta perfis de clientes, usando mulher e criança negras para representar os de menor poder aquisitivo. Todas as demais categorias são associadas a pessoas brancas.Organizações antidiscriminação acusaram nesta segunda-feira (15/01) a rede de supermercados holandesa Albert Heijn de "racismo". Num material de comunicação interna, a empresa utilizou uma mulher negra com uma criança para representar os clientes que compram os produtos mais baratos.

"Estes são perfis estigmatizadores. Não somos a favor de vincular algumas características a um grupo determinado. Eles rotulam as pessoas e, ainda que não seja ilegal, deveriam questionar se isso é o que querem como companhia", disse Barbara Bos, dos Instituo Holandês de Direitos Humanos à emissora NOS.

Novos empregados da Albert Heijn devem fazer uma série de cursos online antes de começar a trabalhar nos supermercados da rede. Em um deles, o objetivo é aprender a distinguir os diferentes perfis de clientes e seu comportamento na hora de fazer as compras.

Os seis perfis apresentados aos funcionários indicam em que áreas vivem os clientes, quanto dinheiro gastam e qual a classe de produto que tendem a comprar.

O mais polêmico dos perfis é o city-budget, representado por uma mulher e uma criança negras, que gastam menos que a média e compram mais produtos de padaria e congelados. Já os clientes premium, que têm o maior poder aquisitivo, são brancos e compram mais queijo, vinho, chocolates e produtos orgânicos.

Os clientes city-budget "são os únicos dos seis perfis representados por negros. As demais categorias são: tradicional, família moderna, cliente mainstream, e city-premium. Esta última também se refere a pessoas com um grande orçamento, mas mais novas, que consomem muito suco e vinho.

"Não se pode vincular a pobreza a uma cor de pele", disse Lucienne Gena, diretora da linha direta antidiscriminação MDRA, de Amsterdã.

A rede de supermercados Albert Heijn indicou em uma nota que "aparentemente, a imagem utilizada cria uma impressão indesejável" e se comprometeu a "analisá-la de forma crítica".

O caso vem à tona uma semana após a polêmica em torno da rede sueca H&M, acusada de racismo por usar numa propaganda uma criança negra com um casaco escrito "macaco mais legal da selva". Alvo de protestos, a companhia fechou temporariamente suas lojas na África do Sul.

LPF/efe/ots

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