França registra terceira queda seguida na natalidade

País mais fértil da Europa vê total de nascimentos cair de novo em 2017. Já óbitos sobem. Queda na taxa de fecundidade reflete espera mais longa pela maternidade e diminuição de mulheres em idade reprodutiva.O país mais fértil da Europa registrou uma queda de 2,1% no número de nascimentos em 2017, o que equivale a 17 mil bebês a menos que os registrados na França em 2016, segundo divulgou nesta terça-feira (16/01) o Instituto Nacional de Estatísticas e de Estudos Econômicos (Insee).

É o terceiro ano consecutivo de queda no número de nascimentos. O vespertino Le Monde avaliou que os 767 mil nascimentos no país em 2017 indicam que "o dinamismo demográfico excepcional que caracterizou a França até a virada dos anos 2010 parece ter acabado".

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O quadro estatístico pintado pelo Insee, segundo o diário, é mais sombrio: "Se a população continua aumentando para se estabelecer em 67,2 milhões de pessoas [em 1º de janeiro de 2018], ela o faz num ritmo menos duradouro que nos anos anteriores (0,3% contra 0,5% entre 2008 e 2013 e 0,4% entre 2014 e 2016)", diz o jornal. A França ainda é o segundo país mais populoso da União Europeia, atrás da Alemanha e à frente do Reino Unido, da Itália e da Espanha.

Se o número de nascimentos caiu, o de óbitos subiu em 2017, fazendo com que o chamado crescimento natural, ou a diferença entre nascimentos e mortes, ficasse "historicamente baixo", em 164 mil, segundo o instituto, no pior nível calculado no pós-Guerra e após quedas de amplitude comparáveis em 2016 e 2015.

Com o envelhecimento das gerações das explosões demográficas do pós-Guerra, o número de mortes aumentou em 9 mil em comparação com 2016 – foram 603 mil fatalidades. A gripe do inverno europeu iniciada no fim de 2016 contribuiu para o falecimento de mais pessoas em idade avançada.

Este é o terceiro ano consecutivo que o número de bebês nascidos na França caiu, fazendo com que o número de filhos por mulher ficasse em 1,88. Em 2016, o indicador da fecundidade era de 1,92 crianças por mulher. Em 2012, eram duas crianças por mulher. O novo número, "portanto, se afasta do nível de renovação de gerações (2,1 crianças por mulher). São as mulheres com idades entre 25 e 34 anos em particular que têm menos filhos que antes", cita o Le Monde, que explica a baixa também pela diminuição do número de mulheres em idade reprodutiva. Em 2017, as mulheres com idades entre 20 e 40 anos eram 8,4 milhões, ante 9,3 milhões em 1995.

País mais fértil

Mesmo assim, os dados mais recentes mostram que a França continua sendo o país mais fértil da União Europeia, ainda antes da Irlanda, afirmou o Insee, que fez a comparação com os últimos dados disponíveis sobre o bloco, de 2015.

Ao mesmo tempo, as mães francesas estão ficando mais velhas, com as mulheres escolhendo esperar até, em média, os 30,6 anos para ter o primeiro filho. Há uma década, a idade média era de 29,8 anos.

Como outros países ocidentais, a França tem uma população que está envelhecendo, o que é uma dor de cabeça demográfica, já que isso significa que menos pessoas em idade produtiva precisam financiar um número crescente de aposentados.

Segundo o Insee, cerca de 19,6% da população francesa têm agora mais de 65 anos. Há 20 anos, o percentual estava em 15,5%. No início de 2017 era de 19,2%.

No âmbito da imigração – um tema controverso no país – a França registrou um saldo migratório (diferença entre pessoas que entraram e saíram do país) de 69 mil chegadas a mais do que partidas em 2017.

RK/afp/ots

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