A C&A e os chineses

Hao Gui, Mischa Ehrhardt (md)

Cooperação do grupo europeu com investidores chineses poderia trazer vantagem para ambos os lados. Conglomerado de longa tradição familiar enfrenta pressão no comércio online e de redes de lojas de moda jovem.A cadeia de roupas C&A está procurando potenciais parceiros e investidores internacionais, como noticia o jornal Die Welt na edição desta quarta-feira (17/01). A direção da empresa quer crescer na China, em países em desenvolvimento e na área de vendas online, podendo optar, para isso, por parcerias com grupos no exterior. O jornal afirma que o anúncio foi divulgado em comunicado do chefe da empresa na Europa, Alain Caparros, endereçado aos funcionários do grupo.

Na segunda-feira, a revista alemã Der Spiegel divulgara a informação, baseada em fontes internas da empresa, que a família Brenninkmeijer, proprietária da companhia, já estaria às vésperas de fechar um acordo de venda com investidores chineses.

Já em 2016, os Brenninkmeijer anunciaram intuito de investir um bilhão de euros para reestruturar o negócio têxtil e as filiais da cadeia. "A família percebeu que isso não era suficiente. Agora, os Brennikmeijer parecem procurar outras possibilidades", avalia a especialista em varejo Gerrit Heinemann.

Há tempos que a C&A, tradicional empresa familiar, vem enfrentando a concorrência acirrada do comércio virtual de roupas, com empresas como a Zalando, e de redes de moda popular, como a Zara e a Primark.

"A Primark pode ser considerada como o tubarão do ramo de artigos de moda; e esse tubarão já está devorando a H&M", afirma Heinemann.

Se a Primark já consegue concorrer com gigantes do mundo da moda como a H&M, as chances da C&A parecem ser ainda piores. Porque, comparada com novas redes de moda mais acessível, a C&A não é mais tão barata assim; características que no passado era o cerne da estratégia de negócios do grupo.

A empresa procura a resposta a esses problemas não somente na China, segundo o porta-voz da C&A, o grupo estaria "procurando possibilidades de expansão" em qualquer das regiões que atua.

Marca sofisticada na China

No passado, a China já desempenhava um papel importante para a C&A, pois a grande maioria das peças vendidas pela cadeia são "made in China". A C&A já coopera também com produtores chineses. E a companhia tenta cada vez mais expandir seus negócios no país asiático.

Nele, a C&A, que atende pelo nome Xi Ya Yi Jia, (que quer dizer algo como "moda da elegância ocidental"), é considerada uma marca sofisticada. Na homepage da C&A na China, estão registradas atualmente 58 filiais.

De acordo com a enciclopédia online do portal chinês Baidu, a C&A pretende abrir várias centenas de lojas na China a médio prazo, assim como nas áreas rurais.

Um acordo com investidores ou parceiros na China também seria interessante para o outro lado asiático. Porque os fabricantes de têxteis chineses teriam um canal para vender seus produtos diretamente no mercado europeu e não dependeriam mais do "intermediário" C&A. No entanto, a despedida da família Brenninkmeijer do negócio têxtil seria um passo bastante radical.

Porque, acima de tudo, foram as lojas da C&A que formaram a fortuna considerável da comunidade familiar de quase mil membros que gerencia o grupo. O patrimônio do clã é avaliada em cerca de 20 bilhões de euros.

E a rede sustenta também mais de 35 mil funcionários. Nos 18 países europeus onde a C&A vende suas roupas, o grupo opera cerca de 1.500 filiais.

A origem, no meio católico, não deve prejudicar a família Brenninkmeijer no caso de uma venda, acredita Gerrit Heinemann. "Eles já começaram o processo de desapego na década de 90", ressalta, acrescentando que, já na sexta geração da família, as emoções não devem interferir num suposto processo de venda. Tudo o que interessa nesse caso, diz, são as cifras – e a sobrevivência da empresa em tempos difíceis.

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