Alemanha discute medidas contra antissemitismo

Em meio a aumento da hostilidade contra judeus na Alemanha, maiores partidos do país propõem no Parlamento novas medidas para combater o fenômeno. Projeto é recebido também com críticas.Parlamento alemão discute nesta quinta-feira (18/01) um conjunto de medidas para intensificar o combate ao antissemitismo no país. Entre elas está a criação do cargo de encarregado de antissemitismo para lidar com a questão no governo.

O projeto, apresentado pela União Democrata Cristã (CDU), da chanceler federal Angela Merkel, e os partidos Social-Democrata (SPD), Verde e Liberal Democrático (FDP), ressalta que, devido ao Holocausto, à privação de direitos e ao assassinato de 6 milhões de judeus, a Alemanha tem uma responsabilidade especial no combate ao antissemitismo.

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Os partidos destacam que muitos dos delitos antissemitas no país continuam tendo motivação de extrema direita, mas que recentemente verificou-se um "antissemitismo reforçado pela imigração de países do Norte da África e do Oriente Médio".

O líder parlamentar da CDU, Volker Kauder, afirmou em entrevista à emissora ZDF que é preciso um combate resoluto ao antissemitismo na Alemanha. Ele disse ser lamentável e inaceitável que instituições judaicas ainda tenham que ser protegidas pela polícia e que judeus tenham medo de serem reconhecidos nas ruas.

Krauder reconheceu que um encarregado para antissemitismo no governo não seria a solução para todas as questões, mas que ele poderia se dedicar, por exemplo, a sugestões de como lidar com o tema nas escolas.

Recentemente, a queima de bandeiras de Israel por manifestantes na Alemanha, em reação à controversa decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, provocou indignação. As autoridades avaliam proibir que bandeiras em geral sejam incendiadas no país. "Isso é algo inadmissível aqui na Alemanha", criticou Krauder.

"Preconceito enraizado"

Ao mesmo tempo, o historiador teuto-israelense Michael Wolffsohn criticou a proposta, questionando a efetividade de um encarregado de antissemitismo no governo.

"O triste fenômeno do antissemitismo tem 3 mil anos de idade. Se um político acha que pode afastar um preconceito humano tão enraizado por meio da implementação de uma autoridade adicional, isso é sim algo muito simpático, mas também completamente ingênuo, para não dizer megalomaníaco", disse.

A deputada do partido A Esquerda Petra Pau se opôs ao fato de se atribuir o problema aos imigrantes, "pois a maioria dos crimes antissemitas ainda é cometida por extremistas de direita". Por isso, ela anunciou que se absterá da votação da proposta no Bundestag.

Já o presidente do Conselho Central de Judeus na Alemanha, Josef Schuster, saudou a proposta, classificando-a de primeiro importante passo na luta contra o antissemitismo.

"O que mais me preocupa é o antissemitismo no centro da sociedade. Ele se manifesta frequentemente por meio de uma crítica exagerada e totalmente unilateral contra Israel e muitas vezes carrega mais preconceitos antissemitas do que as pessoas se dão conta", disse Schuster. "Sem perceber, as pessoas transmitem estereótipos antissemitas para a próxima geração."

Além da criação do cargo de encarregado de antissemitismo, o conjunto de medidas propostas por conservadores, social-democratas, verdes e liberais, inclui um melhor registro estatístico de incidentes antissemitas e a criminalização da negação ou minimização do Holocausto na internet. Também foi proposto que estrangeiros que incitarem ao ódio contra judeus sofram consequências em relação ao direito de permanência na Alemanha.

LPF/kna/epd/afp

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