Air Berlin leiloa de assentos a cobertores da 1ª classe

Em processo de insolvência, segunda maior empresa aérea alemã vende diversos objetos para indenizar credores. Devido ao grande número de interessados, lance para um copo com a logomarca da companhia já está em 100 euros.A companhia aérea Air Berlin, que está em processo de insolvência, pôs à venda até 1º de fevereiro, por meio de um leilão eletrônico, parte de seu patrimônio, incluindo objetos como assentos de aeronaves e cobertores usados na primeira classe de rotas intercontinentais.

O dinheiro arrecadado será usado para indenizar os credores da segunda maior empresa aérea alemã, que deixou de operar em outubro de 2017.

Entre os destaques do inventário estão modelos em miniatura do Airbus A320, cujo lance já está em 200 euros (cerca de 780 reais), uma réplica de seis metros do Boeing 737 a partir de 6 mil euros (23.580 reais), guarda-chuvas por 45 euros (175 reais), mantas (um par) por 200 euros (785 reais) e caixas com cem dos famosos chocolates em forma de coração, que a empresa dava aos passageiros, por 332 euros (1.300 reais) cada.

Mais de 50 mil interessados já se registraram no site da casa de leilões Dechow, de Hamburgo, para participar da venda dos objetos. E, com o grande interesse, os lances já subiram. Por exemplo, um copo de café com a logomarca da empresa aérea, que tinha lance inicial de um euro (cerca de 3,90 reais), está em 100 euros (cerca de 390 reais) apenas 24 horas após o início do pregão.

"O leilão começou de forma promissora e, até o final dele, os preços dos produtos poderão aumentar significativamente. Algumas centenas de milhares de euros certamente entrarão no caixa", afirmou Jan Bröker, diretor da Dechow, em Hamburgo, responsável pelo leilão. "Outras companhias aéreas poderão ter interesse, por exemplo, nos VIP lounges em aeroportos ou nos móveis usados pela empresa aérea."

O dinheiro arrecadado será repassado para a massa falida – quer dizer, será agregado aos ativos que serão usados para indenizar os credores da segunda maior companhia aérea alemã, apenas atrás da Lufthansa, que faliu depois de acumular mais de 1,8 bilhão de euros de dívidas.

As pessoas físicas que derem os maiores lances pelos produtos deverão pagar ainda uma taxa extra de 15% do valor para a casa de leilões e o imposto de valor agregado (IVA). Já empresas que adquirirem grandes quantidades para revender poderão, em certas circunstâncias, ficar isentos do IVA – que será cobrado na revenda para particulares.

A aposentada Anne Brüningshaus, da cidade de Remscheid, foi uma das poucas pessoas que participou da visitação dos lotes do inventário em Essen, no sudoeste alemão.

"Meu filho é curioso e coleciona objetos, por isso viemos mesmo com o mau tempo", explicou Brüningshaus, sentada num assento da classe business (lance no valor de 2 mil euros, ou cerca de 7.850 reais).

Marcus Engler, gerente de uma empresa na área de gastronomia em Gelsenkirchen, afirmou que sua firma analisa a compra de meia dúzia de carrinhos de serviço de bordo (cada um por cerca de 400 euros, ou cerca de 1.570 reais) para distribuir comida em festas. "Algum dia poderemos organizar uma revival party com o tema Air Berlin", afirma Engler.

A empresa se declarou insolvente em 15 de agosto do ano passado depois que sua principal acionista, a Etihad Airways, anunciar a retirada de ajuda financeira à Air Berlin por não ver "perspectivas positivas". A companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos detém 29,2% das ações da companhia aérea alemã, que tinha como principais bases os aeroportos de Tegel, em Berlim, e o de Düsseldorf.

No mesmo dia, o governo alemão forneceu um crédito de 150 milhões de euros para a companhia alemã manter o plano de voos até o final de outubro e evitar que deixasse milhares de passageiros no chão. Em 28 de outubro, a Air Berlin – fundada em 1978 e que cresceu com o boom das companhias aéreas de baixo custo e com voos de Berlim para Maiorca, na Espanha – deixou de voar definitivamente.

FC/efe/dpa/rtr/ap/ots

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