SPD vai negociar coalizão com CDU: e agora?

Peter Hille

Com "sim" social-democrata a conversas com conservadores cristãos sobre uma eventual aliança de governo, o drama político em Berlim passa para uma nova etapa - mas que não será necessariamente mais fácil.Não se pode falar de uma maioria esmagadora: com pouco mais de 56% dos votos, a convenção do Partido Social Democrático (SPD) da Alemanha decidiu-se, neste domingo (21/01), a negociar sobre uma "grande coalizão" governamental com a União Democrata Cristã (CDU), da premiê Angela Merkel, e a bávara União Social Cristã (CSU).

"É claro que estamos, todos, aliviados!", comentou o líder social-democrata, Martin Schulz, após a votação em Bonn. Não é de espantar: se o SPD tivesse dito "não", o resultado seriam novas eleições, e nem Merkel nem Schulz sequer seriam indicados como candidatos à chefia de governo.

"Depois dessa discussão, vamos tentar unir o partido", declarou Schulz na televisão, após a votação. Isso será necessário, pois restou uma cisão profunda entre os correligionários, após a convenção extraordinária em Bonn.

Os representantes da juventude partidária Juso reivindicavam quase unanimemente o "não" às negociações de coalizão. Muitos outros delegados, justamente do estado natal do SPD, a Renânia do Norte-Vestfália, seguiram seu exemplo. O front parecia separar, sobretudo, as bases e a presidência, e poderá atrasar consideravelmente a constituição de um novo governo em Berlim.

Pressão de tempo

Fato é que, se os negociadores encabeçados por Martin Schulz não conseguirem arrancar novas concessões da CDU/CSU, os 450 mil membros do SPD ainda poderão jogar por terra a "grande coalizão". Após as negociações, são eles que votarão sobre uma participação social-democrata no próximo governo da Alemanha.

Um dos representantes social-democratas nas conversas sobre a coalizão é o vice-chefe de bancada parlamentar do SPD, Karl Lauterbach. Falando à DW, ele definiu a decisão na convenção partidária como "ao mesmo tempo tarefa e estímulo": "Precisamos tomar ainda mais impulso, senão não passaremos na consulta aos filiados."

Em sua opinião, CDU, CSU e SPD não deveriam se permitir um prazo para negociações excessivo. "Não há como defender, diante do cidadão, ficarmos deliberando entre nós até estarmos satisfeitos com o todo. O cidadão conta que a coisa seguirá em frente."

Parceiro de negociações nada fácil

Assim também vê a questão a presidente da CDU e chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel. Desse modo está aberto o caminho para as negociações, declarou neste domingo, em Berlim: a questão é começar. Porém ela ressalvou mais uma vez: o esboço estabelecido pela CDU, CSU e SPD nas sondagens seguirá sendo o quadro para as negociações.

No documento, conservadores cristãos e social-democratas já acordaram quanto a pontos básicos de seu trabalho de governança. Entretanto justamente esses pontos foram alvo de duras e repetidas críticas na convenção extraordinária do SPD. "O que está lá, simplesmente não basta", era a opinião de muitos.

O líder partidário Martin Schulz enumerou, em seu discurso, o que já ficou estipulado nas conversas de sondagem, dando especial ênfase à "maior ofensiva educacional da história recente da República Federal da Alemanha". No entanto, nem os resultados das sondagens, nem o discurso de Schulz despertaram entusiasmo verdadeiro entre os companheiros.

Em seguida à votação, o social-democrata prometeu que agora seu partido vai negociar com determinação. "Claro que também irei até os críticos e direi: 'Na continuação das negociações de coalizão, incluiremos todos os pontos que vocês citaram", prometeu, falando à TV Phoenix. Assim, para Merkel, o SPD não deverá ser um parceiro de negociações nada fácil, depois de sua apertada decisão.

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