Desemprego no Brasil cairá pela primeira vez desde 2014, prevê OIT

Fernando Caulyt

Em relatório, organização diz que número de desempregados cairá significativamente no país em 2018, para 11,9%, devido a avanço da economia. No mundo, a taxa de desemprego se estabilizou após um aumento em 2016.A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou nesta segunda-feira (22/01) que, em 2018, a taxa de desempregados no Brasil deverá diminuir significativamente pela primeira vez desde 2014. Segundo o relatório Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2018, o índice deverá cair dos 12,9% registrados em 2017 para 11,9% neste ano.

Segundo o economista Stefan Kühn, um dos autores do relatório, a melhoria das condições econômicas no país teve efeito sobre o mercado de trabalho, e no decorrer de 2018 a taxa de desemprego começará a diminuir. O Ministério da Fazenda estimam para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil um avanço de 1,1% em 2017 e de 3% em 2018.

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Apesar da queda de 1 ponto percentual da taxa de desemprego em 2018, o relatório da OIT aponta que os empregos vulneráveis – nos quais em geral não se tem acesso à seguridade social – terão uma leve alta no Brasil, passando de 25,3% em 2017 para 25,8% neste ano. A alta nesse tipo de emprego – que inclui pessoas que trabalham por conta própria, como vendedores ambulantes, ou em negócios familiares – se deve aos reflexos da crise econômica no mercado de trabalho.

"O Brasil sofreu uma grande contração econômica, que também resultou de uma forte queda dos preços das commodities no mercado internacional, em conjunto com desequilíbrios internos e externos", afirmou Kühn à DW. "Isso empurrou milhões de pessoas para o desemprego, e muito mais para empregos de baixa qualidade, deixando a economia brasileira operando bem abaixo de sua capacidade."

No entanto, agora há perspectiva de recuperação econômica, ressalta o economista. "A estabilização do preço das commodities e a melhoria da perspectiva de crescimento global dão estímulos para levar o Brasil para um caminho de crescimento, embora a um nível moderado."

A taxa de informalidade no Brasil, ou seja, empregados ou empregadores não registrados, perfaz 46%. Em comparação, a média entre os países da América Latina e Caribe está em torno de 58%, variando de 24,5% no Uruguai para mais de 83% na Bolívia.

"Essa taxa no Brasil se deve, em parte, a motivos estruturais, mas também à crise econômica, já que o setor informal atua como última alternativa como empregador nos casos em que a segurança social não fornece apoio suficiente para os desempregados", conta Kühn.



Tendência positiva do emprego puxada por países ricos

No mundo, a taxa de desemprego se estabilizou após um aumento em 2016. À medida que a economia global se recupera, as projeções da OIT indicam que em 2018 o desemprego global deverá permanecer em um nível semelhante a 2017 – quando alcançou 5,6%, o que representa mais de 192 milhões de desempregados em todo o mundo.

Num momento em que as perspectivas econômicas globais de longo prazo permanecem modestas, apesar do crescimento mais forte do que o esperado no ano passado, o relatório atribui a tendência positiva entre 2016 e 2017 principalmente ao forte desempenho dos mercados de trabalho de países desenvolvidos. Nestes projeta-se que a taxa de desemprego cairá 0,2 ponto percentual em 2018, atingindo 5,5% – uma taxa abaixo dos níveis anteriores à crise.

Apesar do crescimento do emprego ter melhorado em comparação a 2016, espera-se, em contrapartida, que ele seja inferior ao crescimento da força de trabalho nos países emergentes e em desenvolvimento.

"Embora o desemprego global tenha se estabilizado, os déficits de trabalho decente continuam generalizados, e a economia global ainda não está criando empregos suficientes", afirma Guy Ryder, diretor-geral da OIT.

Na América Latina e Caribe, a previsão é que a taxa de desemprego diminua apenas marginalmente, passando de 8,2% em 2017 para 7,7% até 2019. A região ainda está, portanto, longe de se recuperar completamente das perdas de emprego dos últimos anos.

Emprego vulnerável aumenta

O documento aponta que o progresso significativo alcançado no passado na redução do emprego vulnerável está paralisado desde 2012. Estima-se que cerca de 1,4 bilhão de trabalhadores estavam em empregos vulneráveis em 2017 e que outros 35 milhões deverão se juntar a eles até 2019. Nos países em desenvolvimento, esse tipo de emprego afeta três em cada quatro trabalhadores.

Porém, o relatório destaca um ponto positivo: a quantidade de trabalhadores vivendo abaixo da linha da pobreza continua caindo em países emergentes, onde o número de trabalhadores vivendo em extrema pobreza deverá chegar a 176 milhões em 2018, ou 7,2% de todas as pessoas empregadas.

"No entanto, nos países em desenvolvimento, o progresso na redução do número de trabalhadores vivendo abaixo da linha da pobreza é muito lento para acompanhar a expansão da força de trabalho", explica Kühn, um dos autores do relatório. "Espera-se que o número de trabalhadores que vivem em extrema pobreza permaneça acima de 114 milhões nos próximos anos, afetando 40% de todas as pessoas empregadas [contratadas] em 2018."

Os pesquisadores escrevem ainda que a participação das mulheres no mercado de trabalho é menor do que dos homens – uma diferença de 26%, que é particularmente grande no Norte da África e em Estados Árabes, onde as mulheres têm duas vezes mais probabilidade de ficarem desempregadas do que o homem. Isso quer dizer que há menos mulheres empregadas ou procurando emprego, e, normalmente, quando elas estão empregadas, ocupam postos de qualidade inferior e salários mais baixos.

Envelhecimento aumenta pressão sobre mercado de trabalho

Os autores destacam que os empregos no setor de serviços serão o principal motor do crescimento do emprego no futuro, enquanto as vagas nos setores agrícola e industrial continuarão diminuindo.

Uma vez que o emprego vulnerável e informal está presente predominantemente na agricultura e nos serviços, as mudanças nos empregos projetadas em todos os setores podem ter um potencial limitado para reduzir os déficits de trabalho decente, se não forem feitos fortes esforços políticos para aumentar a qualidade dos empregos e a produtividade no setor de serviços.

O relatório analisa ainda a influência do envelhecimento da população e conclui que o crescimento da força de trabalho global não será suficiente para compensar a rápida expansão do grupo de aposentados. Segundo projeções da OIT, a média de idade dos trabalhadores irá aumentar de pouco menos de 40 anos em 2017 para mais de 41 em 2030.

"Além do desafio que um número crescente de aposentados cria para os sistemas de pensão, uma força de trabalho cada vez mais velha também deve ter um impacto direto nos mercados de trabalho", conta Sangheon Lee, diretor interino do departamento de pesquisa da OIT. "O envelhecimento pode reduzir a produtividade e diminuir os ajustes do mercado de trabalho após choques econômicos."

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