Exposição na ONU retrata sobreviventes do Holocausto

Fotógrafo alemão Luigi Toscano registra sobreviventes da perseguição do regime nazista há mais de três anos. No total mais de 200 pessoas de seis países diferentes já foram fotografadas.O olhos tristes e azuis de Getrud Roche parecem estar saindo da foto, observando quem passa. Nascida em 1929, ela está usando um brinco rosa e uma correntinha. Já o olhar de Marcel D., cinco ano mais jovem, é um pouco mais suave. Andrzej Korczak-Branecki, nascido em 1930, está com os olhos quase arregalados.

Além de serem poloneses, eles também têm em comum o fato de terem sobrevivido ao Holocausto, enquanto muitos de seus familiares e amigos morreram sob o regime nazista.

E, desde esta segunda-feira (22/01), eles podem ser vistos por quem passa diariamente pela Primeira Avenida em Nova York e na entrada principal das Nações Unidas. A exposição se chama "Sobreviventes, vítimas e perpetradores", com fotos do ítalo-alemão Luigi Toscano, num projeto em parceria com a Casa da Conferência de Wannsee de Berlim.



Além das fotos dos sobreviventes, também é possível ver, em 13 murais, uma explicação do que foi a Conferência de Wannsee, na qual, em 1942, aconteceu o planejamento do extermínio em massa dos judeus.

Há três anos, Toscano fotografa sobreviventes do Holocausto. Até agora mais de 200 pessoas, de seis países diferentes, foram registradas por suas câmeras, num projeto chamado "Contra o esquecimento".

"É significativo estar aqui [em Nova York], eu ainda tenho contato com uma parte dos sobreviventes e eles estão orgulhosos e felizes", diz.

Toscano conta que o importante para ele é não só fotografar vítimas judias, mas todos aqueles que foram afetados pelo Holocausto, incluindo ciganos, perseguidos políticos, homossexuais ou trabalhadores forçados."

Por enquanto, o projeto não tem um fim, pois Toscano continua fotografando mais sobreviventes. Só nesta viagem aos Estados Unidos, ele se encontrou com outras 15 pessoas que agora também terão seus olhares eternizados no projeto.

"Eu me aproximo das pessoas de forma bem humana." Ele conta que, às vezes, fica horas ouvindo as histórias das pessoas - "essa espécie de ritual tem diferentes etapas e é bastante emocionante e engraçado, tudo ao mesmo tempo". Depois da conversa, tendo conquistado mais confiança de seus retratados, vem a pergunta final: "Posso te fotografar?".

Toscano, que tem família italiana, mas nasceu na Alemanha, explica que, aos 18 anos de idade, foi a Auschwitz para para entender melhor esse período da história. Esse momento foi marcante e mais tarde continuou o acompanhando.

"Algum tempo depois de eu ter estudado fotografia, decidi que gostaria de abordar este tema e isso em um momento em que o antissemitismo estava crescendo tanto na Europa quanto em outros lugares", afirma.

Com suas fotos, Toscano diz esperar que a história não seja esquecida, para que não se corra o risco de que ela se repita. O efeito dos olhares sob os passantes da Primeira Avenida em Nova Iorque já podem ser notados.

RG/dpa

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