Exército recebe mulheres na Aman para ensino militar bélico

Pela primeira vez na história do Exército brasileiro, mulheres poderão se tornar oficiais combatentes e chegar à patente de general e até ao comando do Exército.Neste ano, 33 alunas foram recebidas na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no estado do Rio de Janeiro, e serão as pioneiras no ensino militar bélico.

Oriundas da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), elas foram recebidas na academia no fim de janeiro para o período de adaptação e, neste sábado (17/02), entraram oficialmente na Aman, na cerimônia de passagem dos novos cadetes pelo Portão Monumental.

Somente após essa cerimônia, o aluno passa a ser chamado de cadete e, após o curso de quatro anos de formação de oficial combatente, é declarado como aspirante a oficial.

Com sede em Campinas, em São Paulo, a EsPCEx é o estabelecimento de ensino militar do Exército responsável por selecionar e preparar os jovens para o ingresso no curso de formação de oficiais das armas, do quadro de material bélico ou do serviço de intendência. O concurso para a EsPCEx reservou 10% do número de vagas masculinas para as mulheres; 400 homens e 40 mulheres ingressaram na escola preparatória. Dessas, 33 passaram para a Aman.

A presença de mulheres no Exército vem desde o Século 19. A primeira participação de uma mulher em combate ocorreu em 1823. No entanto, somente em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, as mulheres oficialmente ingressaram no Exército Brasileiro. A primeira turma de aspirantes a oficial da área bélica deverá ser formada em 2021. Elas poderão alcançar o posto de general de Exército.

Segundo o subcomandante da Aman, coronel Sebastião Roberto de Oliveira, há quase 30 anos, o Exército tem comandantes e oficiais mulheres nas áreas de tecnologia, saúde e educação, por exemplo. "Já não nos estranha a presença feminina, encaramos de forma natural. Há uma integração positiva entre eles. Agora vão estar mais na frente de combate", disse.

Preparação da Aman

Oliveira explicou que toda a academia foi preparada e adaptada para a inserção das mulheres, foram feitas tanto mudanças estruturais, em alojamentos e regulamentos de vestimenta, por exemplo, como a capacitação de instrutores. "Mas não tem tratamento diferenciado", disse, ressaltando que os aspectos fisiológicos e capacidades físicas são respeitados.

Para o coronel, as características que são mais expressivas nas mulheres também poderão contribuir para sua função no Exército. "A comunicabilidade da mulher, ela é mais comunicativa, pode ajudar em alguns aspectos. Elas também são mais detalhistas, e podem ajudar também com essa habilidade", explicou. "Estamos bastante felizes. É algo natural na sociedade, a mulher sendo valorizada. Somos parte da sociedade, e a presença da mulher é bastante importante", disse.

Segundo a aluna Maria Cecília da Silva Vieira, de 18 anos, a adaptação na Aman está acontecendo de forma natural. "A gente não fica lembrando que é a primeira turma [com mulheres], me sinto incluída, especialmente pelos homens da minha turma", disse. Ela revela que ainda não pensou qual curso escolherá na academia. "Aqui, na Aman, como é muito puxado [o treinamento], acho que posso falar por todos os alunos, que a nossa aspiração é chegar até o final de semana", disse ela, rindo.

CA/abr/ots

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