Ministro do Exterior alemão apela por uma Europa mais forte

Na Conferência de Segurança de Munique, Sigmar Gabriel diz que mundo "está diante de um abismo" e que, sob Trump, ele "não mais reconhece os EUA". Russos e britânicos defendem mais cooperação com UE.No segundo dia da Conferência de Segurança de Munique, o ministro alemão do Exterior, Sigmar Gabriel, defendeu neste sábado (17/02) um fortalecimento da Europa.

Gabriel justificou a sua demanda por uma Europa mais forte também devido a "um deslocamento da ordem mundial com consequências imprevisíveis", como o fortalecimento da China. Isso inclui a disposição de se engajar militarmente. "Como único vegetariano num mundo de carnívoros, teremos muitas dificuldades", declarou Gabriel.

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"A Europa não é tudo, mas sem ela, tudo é nada", salientou o diplomata alemão. Ele disse ainda que a União Europeia não deve se deixar dividir. "Ninguém deve tentar dividir a União Europeia: nem China nem Rússia tampouco os Estados Unidos."

Sigmar Gabriel salientou em Munique que, sob Trump, os EUA não seriam mais confiáveis e que a Europa precisa desenvolver mais consciência de poder. "Já não sabemos mais se podemos reconhecer a nossa América. São ações, são palavras, são tuítes com que se podem mensurar os EUA?", indagou Gabriel. "Previsibilidade e confiabilidade são, aparentemente, os bens mais escassos atualmente na política internacional", declarou o ministro.

Gabriel destacou ainda que "o mundo está diante de um abismo" no início do ano de 2018 e que, depois de seis anos sanguinários, o conflito na Síria se desenvolve como uma guerra civil e por procuração numa direção que implica "ameaça aguda mesmo para os nossos parceiros próximos".

Posição russa

Em Munique, Serguei Lavrov, ministro russo do Exterior, pôs a culpa no Ocidente pela deterioração das relações mútuas. Lavrov acusou os ocidentais de não terem encontrado "um meio-termo" para um desenvolvimento de "vantagem mútua".

Ele aludiu à humilhação sentida pelos russos após o colapso da União Soviética e a expansão da Otan para o Leste, vista como uma ameaça em seu país.

Lavrov exigiu da UE, Otan e dos EUA um tratamento respeitoso perante a Rússia. Faz-se "propaganda", disse Lavrov. Fala-se de uma "ameaça russa", e a crescente influência política mundial de seu país é avaliada negativamente, declarou o ministro russo. No entanto, a "Rússia pretende ser um parceiro confiável".

A sua administração continua disposta a "um diálogo aberto e mutuamente respeitoso", disse Lavrov. Ele apelou por mais cooperação principalmente com a UE, também em conflitos internacionais, como no Oriente Médio. "Nós queremos uma UE previsível, uma UE forte, que seja um ator responsável no contexto da política externa", declarou o ministro russo na capital bávara.

Theresa May

Na Conferência de Segurança de Munique, a primeira-ministra britânica, Theresa May, defendeu uma estreita parceria de segurança entre o Reino Unido e a União Europeia, considerando urgente a negociação de um novo acordo para a fase pós-Brexit.

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, May disse entender ser necessária "vontade política" para avançar rumo a um novo acordo em matéria de segurança, justificando que uma ruptura da atual cooperação teria "consequências reais nocivas".

Para a líder britânica, europeus e britânicos "não podem adiar essa discussão" e devem alcançar "urgentemente um acordo para proteger todos os cidadãos europeus".

Fórum de alto nível

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou na capital bávara neste sábado: "Por muito tempo, não tivemos aptidão para atuar na política global. As circunstâncias fazem com que tenhamos de nos esforçar pela capacidade de agir na política mundial."

A Conferência de Segurança de Munique, que se realiza durante três dias no Hotel Bayersicher Hof, acontece no contexto de vários conflitos internacionais, como a guerra na Síria e a ameaça do programa nuclear norte-coreano.

O fórum de alto nível da política internacional de defesa e segurança se concentra, entre outros, no futuro e na capacidade de ação da UE, nas relações entre a Rússia e os EUA e nos numerosos conflitos no Oriente Médio, em particular na guerra civil na Síria, como também no desarmamento.

CA/afp/lusa/dpa

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