DW é alvo de ataque de "bots" russos

Roman Goncharenko (md)

Programas da redação russa disponibilizados no Youtube abordando eleições são atacados por softwares especializados em manipular avaliações e comentários nas redes sociais.Os polegares apontando para baixo ("não gostei") chegaram como um enxame. Fazia poucas horas que fora disponibilizado no Youtube o episódio da série satírica em desenho animado Sapowednik (Santuário), produzida por encomenda da redação russa da DW, sobre as próximas eleições presidenciais na Rússia.

Então, quase da noite para o dia, as centenas curtidas (símbolo de polegar para cima) enfrentavam mais de 20 mil "dislikes". O vídeo em russo, de cerca de dois minutos e meio, tematizando a candidatura de Vladimir Putin à reeleição e seus concorrentes sem chances, parecia ter repentinamente desagradado aos espectadores. Uma olhada mais atenta nas estatísticas faz suspeitar que por trás possa estar um ataque dos assim chamados "bots sociais".

Suspeita de manipulação

Bots são programas de computador que, de forma automática ou semiautomática, avaliam ou comentam conteúdos de redes sociais e mídias online para manipulá-los. Muitos que acompanham a DW nas mídias sociais expressaram a mesma suspeita.

"Os bots do Kremlin chegaram logo e fizeram os 'não gostei' dispararem", opina um internauta em seu comentário sobre o vídeo. "De onde vêm tantos 'dislikes'?", pergunta outro. "O vídeo é bom, engraçado e original."

Outra coisa que chama a atenção é que o número de "polegares para baixo" já superou o total de chamadas de página, que parece estar congelado em cerca de 30 mil. Uma possível explicação é que, suspeitando de manipulação, o próprio Youtube tenha excluído parte das chamadas de página.

Desde o fim de janeiro, a equipe editorial russa da DW tem tido esse tipo de experiência desagradável em seu canal no Youtube. Nem todos os programas são afetados, mas sobretudo os particularmente bem-sucedidos e que trazem reportagens sobre sanções contra a Rússia e, sobretudo, as eleições presidenciais de 18 de março..



Navalny como possível alvo

Tudo começou com o DW Nowosti, abordando o chamado "relatório do Kremlin" do governo dos EUA. O programa de notícias bateu recorde, sendo visto por mais de 1 milhão de minutos, no total. Mas, em seguida, imediatamente apareceram centenas de "dislikes". O número de avaliações negativas agora excede as "curtidas" em algumas centenas. Desde então, o número de chamadas estagnou em torno de 160 mil.

Uma análise estatística, com base nos endereços IP indica que muitas avaliações negativas vieram da América Latina,. O programa abordando as sanções dos EUA contra a Rússia parece ter desagradado principalmente "brasileiros", "peruanos", "mexicanos", "argentinos" e "colombianos".

Em outro caso, o programa da repórter Zhanna Nemtsova foi alvo de supostos ataques de bots. No Nemtsova.Interview do início de fevereiro, ela entrevistou o político oposicionista russo Alexei Navalny. Ele não tem autorização para competir nas eleições presidenciais, devido a uma controversa sentença de liberdade condicional, e convoca um boicote às eleições.

A entrevista foi bem recebida pelos usuários, ultrapassando 6 mil "curtidas" em pouco tempo. Ele foi assistido por um total de quase 2 milhões de minutos, outro recorde. Em algumas horas, contudo, mais de 4 mil "dislikes" foram adicionados. Desde então as chamadas de página estagnam.

Navalny parece particularmente impopular entre os bots. O vídeo da DW Nowosti no Youtube sobre a convocação dele ao boicote eleitoral foi igualmente atacado. Também neste caso, os "insatisfeitos" vieram como num enxame, desta vez de países como Tailândia, Índia, Vietnã e Filipinas.



Fábrica de bots de São Petersburgo

"Dá a impressão de que tais ataques ficam mais fortes antes das eleições", diz Nemtsova. "O objetivo é reduzir artificialmente o número de visualizações." Ela acrescenta que influentes blogueiros russos acreditam que um grande número de "não gostei" no YouTube possa retirar uma reportagem das listas de tendências.

O jornalista, blogueiro e colaborador da redação russa da DW Alexander Pluschtschew acredita que por trás dos ataques esteja a hoje famosa "fábrica de trolls" de São Petersburgo. "Sim, acredito que ninguém mais que faria isso; essa é função direta deles".

Consta que na empresa privada em São Petersburgo se perpetra a manipulação maciça de redes sociais de todo o mundo. Recentemente, essa "fábrica de trolls" ocupou manchetes, acusada de tentar interferir nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos.

A DW pediu ao Youtube uma avaliação sobre se os casos de Sapowednik, DW Nowosti e outras transmissões são realmente ataques de bots. Também deve ser esclarecido se e como os incidentes afetam o alcance dos programas. A empresa americana afirmou estar investigando os casos. Ainda não houve uma proposta de solução.

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