Produtora de Weinstein será dirigida por mulheres após venda

Investidores chegam a acordo para comprar empresa, ameaçada de falência, por cerca de 500 milhões de dólares. Nova produtora deverá ter diretoria formada majoritariamente por mulheres.Com a promessa de criar uma produtora de cinema com uma diretoria majoritariamente feminina, um grupo de investidores liderados pela administradora Maria Contreras-Sweet anunciou nesta quinta-feira (1º/03) um acordo para a compra da empresa de Harvey Weinstein, ameaçada de falência em meio ao escândalo de assédio sexual envolvendo o produtor.

O anúncio marca uma reviravolta na história, pois quatro dias antes a empresa havia comunicado que recorreria à proteção da lei de falências porque as negociações com o grupo liderado por Contreras-Sweet e o bilionário Ronald Burkle haviam fracassado. Mas as duas partes logo retornaram às negociações, acompanhadas pelo procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, que entrara com uma ação na Justiça havia três semanas e assim complicara um acordo.

Antes do anúncio de falência, os diretores da Weinstein Company, estúdio responsável pela produção de mais de 80 filmes premiados com o Oscar, negociavam a venda da empresa por mais de 500 milhões de dólares.

Pessoas que participaram das negociações disseram à agência de notícias AP que os compradores pagarão 220 milhões de dólares pela Weinstein Company e assumirão dívidas no valor de 225 milhões de dólares. Além disso, os novos donos criarão um fundo de 90 milhões de dólares para pagar indenizações. O valor é formado por 60 milhões dos compradores e 30 milhões de seguradoras.

Contreras-Sweet afirmou que a intenção, com a compra da produtora, é proteger os cerca de 150 empregos e as pequenas empresas que se tornaram credoras com a falência e criar um fundo de indenização das vítimas, além de incentivar a liderança feminina no mercado cinematográfico americano. Se entrasse em processo de falência, a empresa estaria protegida de ações na Justiça, como as movidas por mulheres que acusam Weinstein.

Contreras-Sweet é uma mexicana que migrou para os Estados Unidos para trabalhar na administração do setor público e privado. Em 2014, o então presidente, Barack Obama, nomeou Contreras-Sweet como chefe da Small Business Administration (SBA), agência americana que oferece apoio a empresários e pequenas empresas.

Schneiderman, que acompanha as negociações de venda, apoiou o acordo alcançado e defendeu a necessidade de políticas específicas contra o abuso sexual no trabalho, que garantam que agressores não sejam ignorados e que ofereçam proteção às vítimas.

No caso dos acordos de venda da The Weinstein Company, Schneiderman se opôs a somente Weinstein ser punido, sem haver uma investigação no restante da administração da empresa.

Weinstein foi afastado da empresa que criou logo após as primeiras denúncias de assédio sexual contra ele, em outubro passado, virem à tona.

Caso Weinstein

Naquele mês, atrizes como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Uma Thurman relataram ao The New York Times serem vítimas de abuso sexual por parte de Weinstein, um dos homens mais influentes de Hollywood, produtor de O discurso do rei e diversos filmes premiados. Ao longo das próximas semanas, mais de 70 mulheres denunciaram Weinstein por abusos ocorridos por décadas seguidas.

Como apoio ao relato das atrizes violentadas, mulheres vítimas de abuso sexual lançaram nas redes sociais a campanha #MeToo em dezembro do ano passado. O objetivo é usar a hashtag para denunciar e responsabilizar poderosos do meio televisivo e cinematográfico como Weinstein por abusos cometidos contra mulheres do setor do entretenimento.

Após o Caso Weinstein se tornar público, diversos grandes nomes do cinema e da mídia foram denunciados. O respeitado jornalista televisivo Charlie Rose, de 75 anos, por exemplo, foi despedido das redes CBS e PBS depois que oito mulheres o acusaram de assédio sexual.

LM/rtr/ap/afp/lusa

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