Kim Jong-un vai a show de artistas sul-coreanos em Pyongyang

Em mais um sinal de reaproximação, líder norte-coreano comparece a evento de música pop com artistas da Coreia do Sul em seu país - o primeiro em mais de uma década -, tornando-se o primeiro líder em Pyongyang a fazê-lo.O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, assistiu neste domingo (01/04) a um raro concerto de artistas pop sul-coreanos em Pyongyang, segundo informou o governo da Coreia do Sul, tornando-se o primeiro líder do país a comparecer a uma apresentação de músicos da nação vizinha.

O evento, que ocorre num momento de alívio das tensões na península coreana, marca a primeira vez em mais de uma década que um grupo musical ou artista da Coreia do Sul se apresenta na Coreia do Norte. A última vez foi em 2005, com o show de uma cantora pop sul-coreana.

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Uma delegação com 190 pessoas viajou neste sábado da capital sul-coreana, Seul, para a capital vizinha, Pyongyang, para dois dias de concertos. Entre os artistas estão estrelas do K-pop (gênero musical originado na Coreia do Sul), como o grupo de garotas Red Velvet e a cantora Seohyun.

Segundo relatos da imprensa sul-coreana, citando o Ministério da Cultura do país, Kim assistiu ao show deste domingo, ocorrido em um teatro no leste de Pyongyang, ao lado da mulher, Ri Sol-ju. A mídia diz ainda que a irmã mais nova do líder, Kim Yo-jong, e outros altos funcionários, incluindo o chefe de Estado cerimonial da Coreia do Norte, Kim Yong-nam, também estiveram presentes.

Kim teria batido palmas e apertado a mão de artistas sul-coreanos durante o evento, relata a imprensa. Após os shows, ele ainda teria tirado fotos com os músicos.

"Kim Jong-un demonstrou muito interesse durante o show e fez perguntas sobre as músicas e as letras", afirmou o ministro da Cultura sul-coreano, Do Jong-whan, a repórteres.

Segundo veículos sul-coreanos, Kim havia planejado inicialmente assistir ao segundo dia de apresentações, marcado para a próxima terça-feira, mas mudou os planos devido a conflitos de agenda. A performance de 3 de abril unirá artistas das duas Coreias.

Já era esperada uma aparição de Kim nos concertos, em resposta ao comparecimento do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, à apresentação oferecida em Seul pela orquestra norte-coreana Samjiyon em fevereiro, em ocasião dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang – evento esportivo que alavancou a atual aproximação entre Norte e Sul.

Segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap, o líder norte-coreano opinou que as duas Coreias deveriam realizar representações culturais com mais frequência e sugeriu a organização de um outro evento em Seul no segundo semestre.

A postura coincide com a manifestada pelo ministro da Cultura sul-coreano, que lidera a delegação de 190 pessoas – entre elas autoridades – que viajou para Pyongyang. Do Jong-whan defendeu a retomada de projetos conjuntos e destacou a importância dos intercâmbios culturais e esportivos para uma coexistência pacífica entre as duas Coreias.

Os eventos musicais desta semana ocorrem antes do encontro entre o líder norte-coreano e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, em 27 de abril. Será a primeira cúpula entre os dois países em mais de uma década de relações delicadas.

O encontro deverá ser seguido de outro evento histórico: a reunião entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, programada para maio, a fim de discutir a possível desnuclearização do regime, sendo esta a primeira cúpula entre os líderes de Pyongyang e Washington.

Líderes das duas Coreias só realizaram duas cúpulas desde a Guerra da Coreia (1950-53): em 2000 e 2007, em Pyongyang, entre o então líder norte-coreano, Kim Jong-il, e os do Sul, Kim Dae-jung e Roh Moo-hyun.

O agendamento da cúpula, anunciado na última quinta-feira, se segue a uma reunião-surpresa entre Kim e o presidente chinês, Xi Jinping, que aparentemente se destinou a coordenar as posições de ambos os países antes das reuniões planejadas do líder norte-coreano com Moon e Trump.

EK/ap/efe/rtr

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