Papa pede paz ao Oriente Médio em mensagem de Páscoa

Em bênção na Praça de São Pedro diante de 80 mil fiéis, Francisco condena "carnificina" na Síria e pede resolução do conflito israelo-palestino. Pontífice ainda menciona crise na Venezuela e tensão na península coreana.Diante de 80 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro, no Vaticano, para a tradicional mensagem de Páscoa, o papa Francisco pediu neste domingo (01/04) paz em todo o mundo, em especial no Oriente Médio, palco do conflito israelo-palestino e da guerra civil síria.

Falando da sacada central da Basílica de São Pedro, o pontífice refletiu sobre a crença cristã de que Jesus ressuscitou no domingo de Páscoa, afirmando que a mensagem da ressurreição traz esperança a um mundo "marcado por tantos atos de injustiça e violência".

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"[A crença] produz frutos de esperança e dignidade onde há privação e exclusão, fome e desemprego; onde há migrantes e refugiados, tantas vezes rejeitados pela cultura atual do desperdício; onde há vítimas do tráfico de drogas, tráfico humano e formas contemporâneas de escravidão", disse o papa, no discurso que precede sua tradicional bênção "Urbi et Orbi" (à cidade e ao mundo).

Sobre a Síria, "onde a população está extenuada por uma guerra que não tem fim", Francisco instou "todas as autoridades políticas e militares" a colocar um fim "rapidamente à carnificina", pedindo ainda que seja facilitado o acesso à "ajuda humanitária tão urgentemente necessária" e que sejam garantidas "as condições adequadas para o retorno dos deslocados".

Francisco também pediu reconciliação e fez votos de paz à "Terra Santa, que vem sendo golpeada por conflitos que não poupam os indefesos". Suas declarações ocorrem dois dias depois da morte de 15 palestinos durante uma série de manifestações na fronteira entre Gaza e Israel. Ele ainda lembrou o conflito no Iêmen, onde morreram cerca de 10 mil pessoas desde março de 2015.

Em sua mensagem, o papa também condenou a fome, os conflitos e o terrorismo na África, especialmente no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo.

Sobre a Venezuela, ele pediu que seu povo – que "vive em uma espécie de 'terra estrangeira' dentro de seu próprio país" encontre "o caminho justo, pacífico e humano para sair o mais rápido possível da crise política e humanitária que o oprime, e que não faltem acolhimento e assistência aos muitos de seus filhos que estão sendo obrigados a deixar sua pátria".

O pontífice também mencionou as tensões na península coreana e desejou que "as conversas em curso promovam a harmonia e a pacificação da região". Às autoridades, pediu que "atuem com sabedoria e discernimento para promover o bem do povo coreano e construir relações de confiança no seio da comunidade internacional".

Além disso, Francisco dedicou algumas palavras às crianças "que sofrem pelas guerras e pela fome" e também aos "idosos desprezados pela cultura egoísta, que descarta quem não é 'produtivo'".

"Invocamos frutos de sabedoria aos que têm responsabilidades políticas em todo o mundo para que respeitem sempre a dignidade humana, se esforcem com dedicação ao serviço do bem comum e garantam o desenvolvimento e a segurança aos próprios cidadãos", disse o pontífice.



Antes de entregar sua mensagem de Páscoa, o líder da Igreja Católica presidiu neste domingo a missa da ressurreição e pronunciou uma homilia de forma espontânea, sem ler nenhum discurso escrito.

A Praça de São Pedro amanheceu decorada com milhares de flores procedentes da Holanda, como se faz desde 1985, ano em que um florista holandês decidiu realizar essa oferenda ao Vaticano a cada domingo de Páscoa.

Transformada em um jardim improvisado, a praça continha cerca de 60 mil flores e plantas, entre elas 900 ramos de orquídeas verdes, símbolo de esperança e paz, mas também 6 mil jacintos, mais de 13 mil narcisos, 3 mil rosas, 500 lírios e 20 mil tulipas.

EK/ap/afp/efe/lusa

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