Reino Unido rejeita cooperação russa no caso Skripal

Britânicos consideram "perversa" proposta russa de colaborar com as investigações sobre o ataque químico a ex-espião em Salisbury. Putin nega envolvimento de seu país e diz esperar que "razão prevaleça$escape.getQuote().Em reunião extraordinária da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) nesta quarta-feira (04/04), o Reino Unido rejeitou uma proposta da Rússia para uma investigação conjunta sobre envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal na Inglaterra.

Na reunião extraordinária na sede da Opaq em Haia, a representação britânica afirmou que tal investigação, no formato proposto pelos russos, "forçaria a vítima a se confrontar com o provável agressor".

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O representante britânico na Opaq, John Foggo, disse que fazê-lo seria algo "perverso", e afirmou que a exigência de Moscou demonstrou "descaso" em relação ao incidente.

"É uma tática de diversão e de mais desinformação para evitar as questões a que as autoridades russas devem responder", afirmou a delegação britânica na Opaq através do Twitter.

O Reino Unido, apoiado pelos parceiros europeus e pelos Estados Unidos, culpa a Rússia pelo ataque químico contra Skripal e sua filha Yulia, ocorrido no dia 4 de março na cidade de Salisbury. Moscou, por sua vez, nega a acusação.

A reunião da Opaq ocorreu a pedido de Moscou, que exigiu provas do governo britânico sobre o suposto envolvimento russo no ataque ao ex-espião.

"Estamos prontos para uma cooperação compreensiva, altamente profissional e aberta com o Reino Unido no caso Skripal, num formato bilateral e dentro das normas da Opaq", disse a porta-voz russa de Relações Exteriores Maria Zakharova.

Na terça-feira, o laboratório de química de Porton Down, que analisa as amostras no caso Skripal, disse não ter identificado a origem do agente nervoso que envenenou o ex-espião russo e sua filha há um mês na Inglaterra, mas confirmou que o produto pertence a um grupo de substâncias tóxicas conhecido como Novichok, fabricado pela União Soviética nos anos 1970 e 1980.

"Nós não identificamos a fonte precisa, mas fornecemos as devidas informações científicas ao governo, que usou uma série de outras fontes para chegar às suas conclusões", declarou Gary Aitkenhead, chefe do laboratório localizado perto de Salisbury.

Putin reage

O presidente russo, Vladimir Putin, considerou a declaração de Aitkenhead como prova de que as acusações contra seu país são infundadas, alertando que ao menos outros 20 países possuem a capacidade de produzir o agente químico Novichok.

Putin disse que não aguarda um pedido formal de desculpas do governo britânico. "Esperamos que a razão prevaleça para que as relações internacionais não sofram danos como os que vimos recentemente", disse o presidente.

"Isso não se resume apenas à tentativa de assassinato de Skripal, mas também a outros aspectos das relações internacionais", afirmou. "Precisamos trabalhar dentro de perspectivas políticas concretas, baseadas nas normas fundamentais do direito internacional; o que deverá fazer do mundo um lugar mais estável e previsível."

O caso Skripal agravou a condição das relações entre o Ocidente e a Rússia, que chegaram ao pior patamar desde a Guerra Fria. Mais de vinte países ocidentais expulsaram mais de 150 diplomatas russos em solidariedade ao Reino Unido. Moscou, por sua vez, respondeu na mesma moeda.

Sergei Naryshkin, chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia – o maior sucessor da antiga agência de espionagem KGB –, disse que o envenenamento de Skripal foi uma "provocação grotesca, rudemente encenada pelos serviços de inteligência britânico e americano". Ele afirmou se tratar do mais recente esforço americano de denegrir a Rússia.

RC/lusa/ap

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