Robôs acabarão com menos empregos do que se pensava, diz estudo

Ashutosh Pandey (fc)

Inteligência artificial eliminará menos vagas do que anteriormente previsto, mas ainda afetará milhões de trabalhadores, aponta relatório da OCDE. Qualificação é chave para se adaptar às mudanças do mercado.Robôs substituirão menos trabalhadores do que o que se pensava, aponta um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os pesquisadores afirmam que 14% dos empregos nos países-membros da organização apresentam "alto risco de serem automatizados", enquanto pesquisas anteriores indicavam que a inteligência artificial iria eliminar quase metade das vagas.

Segundo o estudo, o risco de automação é altamente concentrado em empregos que exigem baixa qualificação, como faxineiros, preparadores de alimentos e trabalhadores agrícolas.

O relatório constatou que será difícil automatizar a maior parte dos empregos pois eles requerem a habilidade de lidar efetivamente com relações sociais complexas, incluindo o cuidado a outras pessoas e o reconhecimento de sensibilidades culturais.

Ao contrário de outras pesquisas, o novo estudo levou em consideração as diferenças entre empregos que têm o mesmo nome. "A principal diferença é que o estudo se concentra nas tarefas individuais, e não no ofício", afirma Glenda Quintini, uma das duas autoras do estudo, em entrevista à DW.

Como exemplo, ela cita a diferença entre um mecânico que trabalha em sua própria oficina e outro em uma grande fábrica. "Eles têm o mesmo ofício, mas realizam tarefas diferentes", afirmou Quintini, acrescentando que o primeiro profissional pode ser menos vulnerável à automação do que o segundo.



Requalificação profissional

Os empregos em países de língua inglesa, escandinavos e na Holanda são menos propensos a serem automatizados do que as vagas no Leste e no Sul da Europa, bem como na Alemanha, Chile e Japão, segundo o estudo.

Quintini sublinha que a maior vulnerabilidade à automação não se dá só porque países como Alemanha – onde a inteligência artificial representa uma ameaça a 18% dos empregos – têm setores industriais maiores, mas também por causa da diferença em tarefas realizadas por trabalhadores em ocupações similares.

"Um trabalhador na Noruega, que enfrenta um risco extremamente baixo, está propenso a realizar trabalhos que já se adaptaram às mudanças tecnológicas e exigem mais inteligência social e cognitiva, além de criatividade, ao contrário de um trabalho na Alemanha", conta Quintini.

Ao mesmo tempo, o relatório cita a Alemanha como exemplo para mostrar como a requalificação pode apoiar a mudança de um emprego com mais para outro com menos vulnerabilidade.

"Na Alemanha, onde quase 40% de todos os funcionários passaram pelo menos por uma requalificação ocupacional em sua carreira, a segunda qualificação é para ocupações com risco sistematicamente menor de automação do que a primeira", afirma o relatório.

Educação reduz risco do desemprego

Os robôs representam uma ameaça sobretudo para os adolescentes, segundo o estudo. Hoje, a maioria dos adolescentes trabalha como operários, pessoal de vendas, garçons e ajudantes – funções com maior probabilidade de serem automatizadas.

"Os alertas em alguns países desenvolvidos de que os adolescentes têm tido mais dificuldades de encontrar empregos nos últimos anos devem ser levados a sério e ser estudados no contexto da automação de empregos", escrevem Quintini e sua coautora, Ljubica Nedelkoska, no relatório.

Quintini afirma que, enquanto a proporção de empregos em risco pela automação é muito menor do que anteriormente sugerido, ela ainda é um número muito grande para ser ignorado: 66 milhões de trabalhadores nos 32 países pesquisados.

Outros 32% dos empregos provavelmente sofrerão mudanças significativas, exigindo que trabalhadores e empresas se adaptem. As ocupações com maior risco de serem automatizadas são aquelas que exigem apenas nível básico a baixo de escolaridade.

Quintini enfatiza que os governos precisam fortalecer seus programas de educação de adultos para ajudar aqueles que são mais afetados a se adaptarem melhor às mudanças nas exigências do trabalho.

"A geração de empregos sempre será mais forte do que a eliminação de vagas", sublinha Quintini. "Mas trata-se de salvaguardar aqueles trabalhadores que enfrentam a perda de seus empregos e podem não ter qualificação suficiente para assumir os novos empregos que serão criados."

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