Aumenta número de mortos nos protestos em Gaza

Ao menos 10 pessoas morreram e cerca de 500 ficaram feridas a bala nos protestos de moradores de Gaza na fronteira com Israel. Um dos mortos é um jornalista palestino que estava fazendo a cobertura das manifestações.O número de vítimas por disparos do Exército israelense na sexta-feira na Faixa de Gaza aumentou para dez mortos, incluindo um jornalista, além de cerca de 500 feridos, anunciou na madrugada deste sábado (07/04) o Ministério da Saúde palestino.

"Houve dez mártires e 1.354 feridos, incluindo 491 feridos por balas e explosivos, 33 dos quais estão em estado grave", afirmou o porta-voz do ministério em Gaza. Um dos mortos é um jornalista que estava identificado, usando um colete à prova de balas, informou a mídia palestina.

Leia também: Protestos em Gaza terminam com mortos e feridos

O videojornalista e fotógrafo palestino Yasser Murtaja, de 31 anos, morreu e outros sete repórteres ficaram feridos por disparos israelenses quando trabalhavam na cobertura dos protestos na fronteira entre Gaza e Israel, confirmaram fontes médicas e jornalísticas.

Murtaja, que trabalhava para a agência local Ein Media, "morreu pelos ferimentos sofridos por atiradores da ocupação [israelense] enquanto cobria os eventos da Marcha do Retorno, no leste de Gaza, na tarde de sexta-feira", confirmou o sindicato de jornalistas, em comunicado divulgado pela agência palestina de notícias Wafa.

Outros sete repórteres ficaram feridos no que o sindicato qualificou de "insistência do Exército de ocupação em continuar cometendo crimes deliberados contra jornalistas palestinos" e de "tê-los como alvos".

Marcha do Retorno

Esse foi o segundo grande protesto, convocado pelo Hamas, na região em uma semana. Na série de manifestações, chamada "Grande Marcha do Retorno", os palestinos repudiam o bloqueio de Israel, imposto há mais de uma década, e reivindicam o direito de retorno dos refugiados e seus descendentes às terras de onde foram expulsos ou fugiram após a criação do Estado de Israel, em 1948.

O governo israelense, no entanto, acusa o Hamas de usar os protestos para atacar a fronteira e advertiu que quem se aproximar da cerca estará colocando a vida em risco. Israel descarta ainda o direito de retorno dos palestinos, temendo que o país possa perder a maioria judaica.

Durante os protestos desta sexta-feira em Gaza, os palestinos incendiaram pneus para criar uma cortina de fumaça e bloquear a visão dos soldados israelenses. Os manifestantes entraram em confronto com os militares. Os palestinos lançaram pedras contra os soldados, que responderam com gás lacrimogêneo e tiros.

O Exército israelense afirmou que, em meio à fumaça, os manifestantes lançaram também bombas e explosivos e que houve várias tentativas frustradas de cruzamento da fronteira.

Os militares israelenses posicionaram atiradores de elite de seu lado da fronteira para impedir que palestinos tentem romper a cerca que dá acesso a seu território.

Protesto na ONU

A chamada "Grande Marcha do Retorno" começou em Gaza no dia 30 de março, com marchas e manifestações junto à fronteira com Israel. Desde então morreram 32 palestinos, tanto nos protestos como em outros incidentes.

Na sexta-feira, quando ficou conhecida a existência dos mortos, a Palestina exigiu uma reação do Conselho de Segurança da ONU face à atuação das tropas israelenses durante os protestos ocorridos na fronteira de Gaza com Israel.

O embaixador palestino na ONU, Riyad Mansur, denunciou que Israel está cometendo um "massacre" e criticou os seus dirigentes por desrespeitarem os apelos à moderação por parte da comunidade internacional.

Israel advertiu na quinta-feira que as instruções de tiro dadas aos soldados seriam as mesmas que para o dia 30 de março, quando foram disparadas balas reais contra os manifestantes que participavam no primeiro dia de protestos da "Grande Marcha do Retorno".

CA/efe/lusa/dpa/afp/dw

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