Topo

Rússia nega uso de armas químicas em Douma

08/04/2018 10h23

Moscou afirma que informação de ataque químico contra reduto rebelde sírio é fabricada por países ocidentais. EUA dizem que russos "traíram Convenção sobre Armas Químicas ao proteger incondicionalmente Assad".A Rússia negou categoricamente neste domingo (08/04) as informações sobre um suposto ataque químico realizado por forças do regime sírio no reduto rebelde de Douma, nos arredores de Damasco.

"Negamos categoricamente tal informação e, assim que a cidade de Douma for liberada dos rebeldes, nos declaramos dispostos a enviar imediatamente nossos especialistas", disse o general Yuri Yevtushenko, chefe do Centro de Reconciliação russa na Síria.

Leia também:

Turquia mira mais uma cidade na Síria

Segundo a ONG Capacetes Brancos, pelo menos 40 pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, morreram no sábado por asfixia num ataque químico contra o reduto rebelde. A ONG disse ainda que a utilização de "gás cloro tóxico" deixou centenas de feridos.

Já a organização médica síria e americana, outra ONG, falou num total de 41 mortos e também em centenas de feridos. Por sua vez, o Observatório Sírio de Direitos Humanos assegurou que morreram 80 civis, metade dos quais devido à asfixia resultante do colapso das infraestruturas (inclusive de abrigos).

O general russo explicou que os especialistas do seu país em limpeza química, biológica e radiativa "recolherão dados que confirmarão que essas declarações são fabricadas".

Ele acusou "uma série de países ocidentais" de tentar impedir o reatamento da operação de retirada de rebeldes de Douma, paralisada há dois dias. "Para isso se utiliza o tema preferido de Ocidente que é o uso de armas químicas por parte das forças governamentais sírias", afirmou Yevtushenko.

A agência oficial do regime sírio, Sana, também rejeitou qualquer responsabilidade das forças sírias e garantiu que "as denúncias do uso de substâncias químicas em Douma são uma tentativa clara de impedir o progresso do Exército".

Advertência americana

Os Estados Unidos pediram neste domingo à Rússia para que ponha fim "imediatamente" ao seu apoio "incondicional" ao governo de Bashar al-Assad depois do suposto ataque químico ocorrido no sábado contra o último reduto rebelde nos arredores de Damasco.

A porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, afirmou em comunicado que a Rússia "descumpriu os seus compromissos com as Nações Unidas e traiu a Convenção sobre Armas Químicas ao proteger incondicionalmente Assad".

"A proteção do regime de Assad por parte da Rússia e a sua incapacidade para deter o uso de armas químicas na Síria questiona o seu compromisso de resolver a crise global e as maiores prioridades de não proliferação", afirmou a porta-voz.

O governo americano acompanha de perto as informações sobre o suposto ataque a um hospital em Douma, onde, sem detalhar o número de mortos, reconheceu que pode haver "um número potencialmente alto de vítimas".

Nauert insistiu que o histórico de Assad com o uso de armas químicas contra o seu próprio povo "não está em discussão" e lembrou que há um ano as forças do governo sírio fizeram um ataque de gás sarin que matou aproximadamente cem sírios.

CA/efe/dpa/lusa

----------------

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App