O Brasil na imprensa alemã (11/04)

O processo que culminou na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi amplamente abordado pela imprensa alemã na última semana. Confira alguns relatos e comentários.Süddeutsche Zeitung - Ex-presidente brasileiro encena uma novela, 09/04/2018

No fim, ele se entregou à polícia. Mas do jeito que ele queria. Isso era importante para ele, que se vê como um lutador político e como legítimo candidato à Presidência da República. Luiz Inácio Lula da Silva, 72 anos, entrou para a cadeia no fim da noite de sábado como um homem que, mesmo no momento da sua prisão, dá o tom. Mas antes ele presenteou seu país, que governou de 2003 a 2010, com mais um drama, que sem dúvida vai entrar para a história televisiva deste povo louco por televisão. Várias emissoras transmitiram, durante dois dias, praticamente o tempo todo, do espaço em frente ao sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Na despedida, ele clamou a seus seguidores: "A morte de um combatente não para a revolução".

Die Tageszeitung – No pântano da corrupção, 08/04/2018

É quase impossível negar a acusação de que as investigações de corrupção são politicamente instrumentalizadas. Durante décadas se falou sobre maquinações de corrupção. Mas só depois de 2003, quando, pela primeira vez, um governo progressista e voltado para questões sociais chegou ao poder no Brasil, é que, de repente, houve investigações. Sérgio Moro, hoje o grande herói do movimento de direita contra o PT, conduz de forma dirigida processos contra políticos do PT, levou Lula para prestar depoimento diante de toda a imprensa, com uma operação policial de guerra, e divulgou, sem ser punido, um grampo ilegal da então presidente Dilma Rousseff numa conversa telefônica com Lula. Enquanto muitos petistas estão atrás das grades, nenhum processo de corrupção contra os inúmeros políticos suspeitos do PSDB terminou na cadeia.

Der Tagessspiegel – O herói do povo deve ir para a cadeia, 06/04/2018

Trata-se de uma cesura na história do Brasil. Suas consequências ainda não são previsíveis. Luiz Inácio Lula da Silva, o popular chefe de Estado entre 2003 e 2011, terá de ir para a cadeia por corrupção. É a primeira vez que um ex-presidente terá que ir para a cadeia. O poder explosivo do veredicto reside no fato de que Lula já é quase uma figura mítica. Seus apoiadores o veneram profundamente, seus adversários o odeiam ainda mais. Um debate civilizado sobre o papel histórico de Lula, que, durante o seu mandato, mudou o Brasil mais do que qualquer outro presidente antes dele, já não é mais possível há alguns anos.

Die Tageszeitung – A hora Lula, 06/04/2018

O PT, no Brasil, e a ANC, na África do Sul, viam a si como representantes dos desfavorecidos de seus países e executores de um projeto histórico de transferência de privilégios tradicionais de uma pequena casta de ricos para uma ampla massa de pobres. Mais unidos do que separados pelo Atlântico Sul, os governos Lula e Zuma sonhavam com uma nova aliança meridional e um novo modelo de desenvolvimento. "Aprender com o Brasil" se tornou um slogan na África do Sul, e muitos políticos da ANC sonhavam com "a hora Lula". Agora, a África do Sul vive uma "hora Lula", mas não como imaginava. Jacob Zuma responde a processo por corrupção num tribunal, enquanto Lula já perdeu seu processo.

AS/ots

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