Sanções dos EUA ameaçam economia russa

Roman Goncharenko (md)

Nova rodada de medidas punitivas lançadas por Washington provoca queda no mercado acionário e de câmbio da Rússia. Prejuízos de dezenas de bilhões de dólares pressionam grandes grupos econômicos do país."Sanções? Nossos mísseis nucleares estão morrendo de rir". Tal slogan era comum em camisetas russas em 2014, quando a pressão econômica sobre a Rússia aumentou após o país ter anexado a Península da Crimeia. Inicialmente, as sanções foram aplicadas com cautela pelos Estados Unidos e seus aliados e tinham escopo bastante limitado.

A Rússia se ajustou à "nova realidade econômica", um eufemismo para o confronto. Em 2017, a economia voltou a crescer. É questionável se o mesmo acontecerá após a última rodada de sanções.

Novas medidas punitivas lançadas pelos Estados Unidos na última sexta-feira (06/04) levaram a uma maciça queda no mercado acionário e de câmbio na Rússia. Segundo a imprensa, as novas sanções dos EUA contra sete oligarcas, 17 altos funcionários e 12 empresas levou a prejuízos de dezenas de bilhões de dólares nos mercados russos dentro de poucas horas nesta segunda-feira.

Pressão sobre o rublo

A queda continuou na terça-feira, e não há um fim à vista. A pressão sobre títulos e a moeda russa, o rublo, também cresceu enquanto são discutidas novas sanções em resposta ao envenenamento na Inglaterra do ex-agente duplo russo Serguei Skripal. Uma proposta atualmente cogitada no Congresso dos EUA expandiria as sanções para mirar a dívida soberana russa.

Caso isso de fato aconteça, seria uma "guerra econômica", segundo Alexander Shoshin, presidente da associação empresarial russa RSPP, sediada em Moscou.

Mas os indivíduos afetados e suas companhias não são os únicos a sofrer com as últimas sanções dos EUA. Outras corporações e bancos também estão sentindo os efeitos. A queda das ações, por exemplo, estão atingindo o Sberbank, o maior banco da Rússia. Enquanto isso, o governo afirma que a situação está sob controle e promete assistência financeira.

Empresário próximo ao Kremlin como alvo

O empresário Oleg Deripaska, de 50 anos, vai precisar de ajuda mais do que ninguém. Os Estados Unidos o escolheram como alvo de algumas das sanções mais duras por causa de sua proximidade com o Kremlin. Seu império de negócios, Basic Element, é um dos principais alvos.

Estima-se que a Basic Element tenha mais de 150 mil funcionários em todo o mundo. O site da companhia afirma que 15% da população da Rússia estão "direta ou indiretamente" ligados à empresa.

Entre aqueles ligados à Basic Element estão a Rusal, maior produtora de alumínio do mundo, e o conglomerado Russian Machines, que possui várias subsidiárias nos setores de tecnologia automotiva, ferroviária e aeronáutica.

O fabricante de automóveis GAZ, de Nizhny Novgorod, também pertence à Russian Machines. É uma empresa russa tradicional, e foi diante de trabalhadores da GAZ que o presidente Vladimir Putin anunciou que concorreria ao quarto mandato presidencial em dezembro. Ele foi reeleito no mês passado.

Ainda não está claro se postos de trabalho nas empresas de Deripaska estão ameaçados como resultado das sanções dos EUA. Embora os EUA sejam um mercado importante para o alumínio russo, a maior parte da produção da Basic Element é destinada ao mercado interno.

Ameaça de controle estatal

O maior problema seria pagar a dívida externa da empresa. Por causa de regras impostas pelas sanções, esse débito só pode ser coberto pelo Estado. Observadores dizem que o império Deripaska pode cair sob o controle estatal como resultado disso.

Embora a maioria dos russos tenha sentido os efeitos das sanções, eles não foram tão dramáticos até agora. O mercado de câmbio sofreu uma queda semelhante no final de 2014, mas a causa então era a queda global do preço do petróleo – o produto de exportação mais importante da Rússia e sua maior fonte de divisas.

Internamente, ao comprarem produtos eletrônicos, muitos russos provavelmente sentirão as primeiras consequências da desvalorização do rublo como resultado de sanções. A revista de negócios Vedmosti informa que os preços de produtos como smartphones e laptops devem subir cerca de 5% a 10%.

No ano passado, o número de russos de férias no exterior diminuiu devido à desvalorização do rublo. A indústria do turismo doméstico, no entanto, tem se beneficiado de alguma forma da situação atual. Por exemplo, russos que desistem de viagens à Turquia por causa do aumento dos custos podem tirar férias na Península da Crimeia.

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