Conselho de Segurança reflete tensão após bombardeio

Em reunião de emergência, órgão da ONU rejeita resolução russa que pedia condenação do ataque ocidental à Síria. EUA dizem estar armados e prontos para disparar. Rússia acusa Ocidente de "hooliganismo diplomático$escape.getQuote().O Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou neste sábado (14/04), em reunião de emergência, uma resolução apresentada pela Rússia que pedia a condenação dos bombardeios realizados na Síria por Estados Unidos, Reino Unido e França durante a madrugada.

No pedido, Moscou considerava que o ataque representa uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, além de expressar "grave preocupação" pela "agressão" contra a soberania territorial da Síria. O documento ainda exigia que os três países responsáveis evitem no futuro o uso da força contra o regime de Bashar al-Assad.

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Além da Rússia, somente China e Bolívia votaram a favor da resolução. Oito países votaram contra – EUA, Reino Unido, França, Suécia, Costa do Marfim, Kuwait, Holanda e Polônia –, e quatro se abstiveram – Peru, Cazaquistão, Etiópia e Guiné Equatorial.

A votação ocorreu ao fim de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, solicitada neste sábado pela Rússia para discutir a situação na Síria. O resultado refletiu um apoio aos bombardeios ocidentais, mas também demonstrou novamente a paralisia do órgão mais poderoso da ONU para lidar com o conflito na Síria.

Na madrugada deste sábado, EUA e aliados lançaram mais de cem mísseis em território sírio, em resposta ao suposto ataque químico na cidade síria de Duma, que matou mais de 40 pessoas na semana passada e é atribuído pelo Ocidente ao regime de Assad.

A Rússia e a Síria, por outro lado, afirmam não haver evidências do uso de armas químicas em Duma, último bastião dos rebeldes em Ghouta Oriental, e alegam que o ataque foi fabricado.

Troca de acusações e ameaças

Após a votação, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, declarou que a reunião do órgão confirmou que os EUA e seus aliados "continuam colocando a diplomacia e a política internacional na esfera da criação de mitos, inventados em Londres, Paris e Washington".

"Por que vocês não aguardaram o resultado da investigação que vocês mesmo solicitaram [antes de bombardear a Síria]?", questionou Nebenzia. "Vocês não estão apenas se colocando acima da lei internacional, mas estão tentando reescrever a lei internacional."

Mais cedo, em discurso durante a reunião, o embaixador russo acusou EUA, França e Reino Unido de "hooliganismo diplomático" e considerou que os bombardeios contribuem para "tornar uma situação humanitária catastrófica ainda pior".

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Os três países, por sua vez, defenderam a ação militar deste sábado perante o Conselho de Segurança, afirmando que ela teve como foco o coração do programa de armas químicas sírio.

"Estamos confiantes de que paralisamos o programa de armas químicas da Síria. Estamos preparados para manter essa pressão, se o regime sírio for insensato o suficiente para testar nossa vontade", afirmou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

A diplomata acrescentou que, se Assad continuar empregando armas químicas em seu país, "os Estados Unidos estão armados e prontos para disparar". "Quando o nosso presidente estabelece uma linha vermelha, ele respeita essa linha", declarou Haley.

Em discurso semelhante, a embaixadora do Reino Unido na ONU, Karen Pierce, também defendeu os bombardeios, afirmando ser "correto e legal" lançar ataques com a intenção de aliviar o sofrimento humanitário.



O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, informou que pediu ao enviado especial da ONU para a crise síria, o diplomata Staffan de Mistura, que retorne a Nova York o quanto antes para que o órgão possar traçar uma estratégia. Segundo ele, "a Síria representa hoje a mais séria ameaça à paz e à segurança internacional".

Em discurso perante o Conselho de Segurança, Guterres ainda pediu "a todos os Estados-membros que, neste momento crítico, ajam de forma consistente com a Carta das Nações Unidas e com a lei internacional, incluindo as normas contra o uso de armas químicas".

Reações internacionais

A ação militar deste sábado desencadeou uma série de reações em todo o mundo. O Ocidente saiu em peso para apoiar o ataque, com a Alemanha e a União Europeia dizendo estarem ao lado dos EUA. Já Assad e seus aliados – Rússia, Irã e Hisbolá – reagiram com indignação e ameaças.

A Otan, por sua vez, expressou seu "total apoio à ação que pretendeu degradar a capacidade de armas químicas do regime sírio e deter novos ataques com armas químicas contra o povo da Síria".

"As armas químicas não podem ser usadas com impunidade ou normalizadas. Elas representam um perigo imediato para a população síria e para nossa segurança coletiva", afirmou Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, após uma reunião em Bruxelas com embaixadores dos 29 países-membros do órgão.

O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou o bombardeio como um "ato de agressão", que vai ampliar a catástrofe humanitária na Síria: "O ataque teve uma influência destrutiva no sistema interior de relações internacionais."

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o ataque foi "perfeitamente executado" e declarou "missão cumprida". "Não poderia haver resultado melhor", afirmou ele no Twitter.

Contudo, não está claro o real alcance dos bombardeios. A França afirma que "grande parte" do arsenal químico sírio foi destruída, enquanto a Rússia alega que 71 dos 103 disparos foram interceptados pelo sistema de defesa de Assad.

EK/afp/ap/efe/lusa/rtr

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