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Estados Unidos, França e Reino Unido atacam bases militares na Síria

14/04/2018 00h08

Em retaliação pelo suposto ataque com armas químicas em Dhouma, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia bombardeio a bases militares na região de Damasco. Rússia alerta para "consequências" dos ataques.O presidente americano Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (13/04) que Estados Unidos, França e Reino Unido lançaram bombardeios conjuntos a bases militares na Síria que seriam utilizadas para armazenar armas químicas.

"O ataque maligno e desprezível deixou mães, pais, crianças e bebês se debatendo de dor e falta de ar", disse Trump sobre o ataque. "Essas não são ações de um homem. São crimes de um monstro".



Fortes explosões foram registradas na capital Síria, Damasco, durante o discurso de Trump. De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, ONG baseada em Londres, os bombardeios atingiram bases militares e um centro de pesquisa.

O embaixador da Rússia nos Estados Unidos disse que "tais ações não ficarão sem consequências."

Ao longo dos últimos dias, Trump reuniu-se com conselheiros militares e conversou com aliados para decidir como responder ao uso de armas químicas em Ghouta Oriental, na periferia de Damasco.

"Nós estamos preparados para sustentar essa resposta até o regime sírio parar de usar agentes químicos proibidos", disse Trump, acrescentando que não pretende manter uma presença americana "indefinida" na região.

"O propósito das nossas ações esta noite é estabelecer um forte elemento disuasivo contra a produção, disseminação e uso de armas químicas."

Theresa May: "Sem alternativas"

Logo após o anúncio de Trump, a primeira-ministra britânica Theresa May divulgou um comunicado dizendo que ao Reino Unido "não resta alternativa" a não ser o uso da força na Síria. "Nós não podemos permitir a normalização do uso de armas químicas – seja dentro da Síria, seja nas ruas do Reino Unido ou em qualquer outro lugar do mundo", informa o comunicado.

May disse que os bombardeios visavam especificamente a destruir a capacidade de Assad de usar armas químicas, e que a coalizão dos três países não tem a intenção de interferir na guerra civil da Síria ou forçar uma mudança de regime.

Macron: Assad cruzou a 'linha vermelha'

O presidente francês Emmanuel Macron disse que a operação conjunta mirou o "arsenal químico clandestino" do governo sírio.

O ataque em Dhouma na última semana "cruzou a linha vermelha para a França", afirmou Macron. "Nós não podemos tolerar a trivialização do uso de armas químicas que apresentam um perigo imediato para o povo sírio e para nossa segurança coletiva."

Os três aliados ocidentais disseram esta semana ter encontrado evidências de que o governo do presidente Bashar al-Assad foi o responsável pelo ataque do último sábado e que o regime teria que pagar o preço por utilizar armas químicas.

Mais cedo nesta sexta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Raj Shah, disse que "Trump vai responsabilizar o governo sírio. Ele também vai responsabilizar os russos e os iranianos que estão apoiando este regime."

Trump se dirige a Rússia e Irã

Trump também usou seu discurso para se dirigir diretamente aos principais apoiadores de Assad, Rússia e Irã.

"Que tipo de nações querem estar associadas com um assassino em massa de homens, mulheres e crianças inocentes?", disse o presidente americano. "As nações do mundo podem ser julgadas pelos amigos que mantêm."

Trump também acusou o president russo, Vladimir Putin, de falhar em sua promessa de que cuidaria para que o regime sírio destruísse seu arsenal de armas químicas.

FF/ap/rtrt/afp/dpa