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Comunidade internacional reage à suspensão de testes norte-coreanos

21/04/2018 09h51

Enquanto EUA, Coreia do Sul e China elogiam decisão de Kim de abrir mão de testes nucleares e de mísseis, Japão e Alemanha veem medida com cautela. Pyongyang não deixou claro se vai renunciar a seu arsenal nuclear.Após a Coreia do Norte anunciar a suspensão imediata de seus testes nucleares e de mísseis, uma série de líderes internacionais se manifestou neste sábado (21/04). Enquanto países como EUA, Coreia do Sul e China saudaram o anúncio, outros reagiram com cautela.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou que seu país não precisa mais realizar testes nucleares ou de mísseis de médio e longo alcance e intercontinentais, pois já completou seu programa de armamento nuclear e deseja agora colocar a economia em foco.

O presidente americano, Donald Trump, saudou a decisão como "uma ótima notícia para a Coreia do Norte e para o mundo – um grande progresso". No Twitter, ele disse estar ansioso para um encontro bilateral com Kim, que deve ocorrer em maio ou junho.

Leia também: Opinião: O persistente problema norte-coreano

A Coreia do Sul também descreveu a medida de Pyongyang como um "progresso significativo" para a desnuclearização da península coreana.

"Vai criar um ambiente muito positivo para o sucesso das planejadas cúpulas entre Coreias e entre Pyongyang e os EUA", disse o governo em comunicado. O anúncio de Kim foi feito menos de uma semana antes de uma planejada cúpula entre Moon e Kim.

A China, o principal aliado da Coreia do Norte, também saudou a decisão anunciada por Kim. Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, o porta-voz do Ministério do Exterior, Lu Kang, disse que vai apoiar Pyongyang no diálogo e nas consultas com "partes relevantes" para resolver suas preocupações e melhorar as relações.

Lacunas geram ceticismo

O anúncio norte-coreano sobre as suspensões dos testes, no entanto, também gerou ceticismo por não sugerir que Pyongyang está disposta a abrir mão de seu arsenal nuclear. Também ficou em aberto se o governo comunista vai deixar de produzir ogivas nucleares e mísseis.

"Saudamos o anúncio da Coreia do Norte como um movimento de progresso, mas vamos continuar a observar se a medida poderia levar à eliminação verificável e irreversível dos arsenais nucleares e armas de destruição em massa", disse o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

O ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, classificou o anúncio de Pyongynag de "insatisfatório" e "insuficiente".

O ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, afirmou que a decisão da Coreia do Norte é um passo na direção certa, mas que Pyngyang precisa revelar seu programa nuclear e de mísseis.

"Para entrar num processo político sério rumo à completa desnuclearização da Coreia do Norte, é necessário que Pyongyang siga passos específicos e mostre seu programa nuclear e de mísseis completo de maneira verificável", afirmou Maas. "Essa demanda está de acordo com as expectativas da comunidade internacional."

"Solução negociada" e "passos recíprocos"

Apesar das lacunas no anúncio, chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, reconheceu a suspensão dos testes como um "passo positivo e há muito esperado". O anúncio de Kim demonstra "respeito total a suas obrigações internacionais e a todas as resoluções relevantes do Conselho de Segurança da ONU", disse em comunicado.

Diante das próximas cúpulas de Kim com Moon e Trump, a diplomata disse que a UE espera que tais inciativas de alto nível possam continuar a construir confiança e trazer mais resultados concretos e positivos. "A UE vai continuar a trabalhar de todas as maneiras possíveis em apoio a uma solução negociada", disse.

A Rússia, por sua vez, saudou a decisão norte-coreana e pediu que os EUA e a Coreia do Sul adotem "passos recíprocos".

"Consideramos a decisão um importante passo em direção a uma futura diminuição das tensões na península coreana", disse o Ministério do Exterior russo em comunicado. "Pedimos que os EUA e a Coreia do Sul adotem passos recíprocos adequados no sentido de reduzir a atividade militar na região e alcançar acordos mutualmente aceitáveis com a Coreia do Norte nas próximas cúpulas entre Coreias e entre e EUA e Coreia do Norte", afirma a nota.

LPF/rtr/afp/dpa/ap

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