Sorrentino estreia filme sobre Berlusconi

Primeira parte do polêmico longa "Loro" mostra período mais conturbado da carreira do ex-premiê italiano. Segundo o premiado diretor, um retrato de uma época "amoral e decadente" da política do país.A primeira parte de Loro, aguardado filme biográfico sobre o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi dirigido por Paolo Sorrentino, estreou nos cinemas da Itália nesta terça-feira (24/04).

Segundo Sorrentino, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro com A grande beleza (2013), Loro vai além da figura de Berlusconi: é o retrato de um período "amoral, decadente, mas extraordinariamente vital" da história italiana.

Estrelado por Toni Servillo, mesmo protagonista de A grande beleza, o filme é dividido em duas partes – a segunda estreia em 10 de maio – e exibe uma versão ficcional da série de escândalos ocorrida entre 2006 e 2010.

É nesse período que Berlusconi, por exemplo, é acusado de subornar políticos opositores para voltar ao poder e de realizar festas com prostitutas menores de idade. Também foi nessa época que ele acabou se separando da segunda esposa.

O jornal de esquerda Il Fatto Quotidiano comentou que a primeira parte da cinebiografia mostra um Berlusconi de 81 anos, já velho e "de coração e próstata partidos".

A estreia era muito esperada pelo público, mas não pelo próprio magnata. Acostumado a controlar sua imagem na mídia, Berlusconi declarou no final de 2017, em uma coletiva de imprensa, que temia que o filme se tornasse uma agressão política ou pessoal contra ele.

Mais muitos críticos apontaram que, como a primeira parte do filme é majoritariamente uma versão romantizada dos escândalos de sexo e drogas em seu círculo de poder, no final a imagem de Berlusconi não saiu tão mais arranhada.

O jornal Il Giornale, de propriedade da família Berlusconi, escreve que o filme mostra que o político não esteve sozinho nos escândalos em que se envolveu. "No final do filme, Berlusconi é melhor que eles", disse o periódico.

Berlusconi chegou a encontrar Sorrentino antes das filmagens e se mostrou entusiasmado com o projeto. Mas, segundo a agência de notícias italiana Ansa, com o tempo foi mudando de ideia e hoje não tem a intenção de assisti-lo.

Não é a primeira vez que Sorrentino cinebiografa uma figura política italiana. Em 2008, ele levou ao cinema Il divo, sobre o também ex-primeiro-ministro Giulio Andreotti. Como agora, o papel de protagonista coube a Servillo.

LM/dpa

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