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Inventor recebe prisão perpétua por morte de jornalista

25/04/2018 21h11

Tribunal dinamarquês conclui que Peter Madsen assassinou e esquartejou a repórter sueca Kim Wall a bordo de um submarino antes de jogá-la ao mar. Sentença destaca sinais de violência antes da morte. Ele nega homicídio.Um tribunal em Copenhague condenou nesta quarta-feira (25/04) o inventor dinamarquês Peter Madsen à prisão perpétua pelo assassinato e esquartejamento da jornalista sueca Kim Wall. O crime, ocorrido em agosto de 2017 a bordo de um submarino feito por ele, comoveu a Escandinávia.

Madsen – um engenheiro autodidata de 47 anos e famoso na Dinamarca por seus projetos de submarinos e foguetes – negou ter matado a repórter. No julgamento, ele alegou que a morte aconteceu de forma acidental, mas admitiu ter esquartejado o corpo antes de jogá-lo ao mar.

As declarações de Madsen não convenceram o tribunal, que o condenou também pelo assassinato. Ao longo do processo, o inventor mudou sua versão sobre a morte – primeiro disse que a sueca bateu a cabeça na escotilha e depois que ela sofreu uma intoxicação por monóxido de carbono.

Madsen se defendeu afirmando que modificou o relato dos fatos em consideração à família da repórter – uma justificativa que a corte dinamarquesa também não comprou.

A sentença destaca que três mulheres foram convidadas ao submarino de fabricação caseira dias antes de Wall, e que Madsen tinha interesse em mutilar e torturar pessoas. Ainda segundo o tribunal, ele não deu "uma explicação crível" de por que tinha ferramentas como uma serra na embarcação.

A jornalista foi vista pela última vez em 10 de agosto, quando embarcou no submarino caseiro UC3 Nautilus para entrevistar seu inventor. O dinamarquês foi detido no dia seguinte, ao voltar à costa sem a repórter.

O tronco de Wall foi achado no mar Báltico duas semanas depois, seguido de braços, pernas e cabeça, que estavam amarrados a pedaços de metal provavelmente para que afundassem. Também foi encontrada a suposta serra usada para esquartejar o corpo e uma bolsa com a roupa da repórter.

A sentença desta quarta-feira ressaltou que, segundo análises da perícia, há indícios de violência no tronco de Wall enquanto ela ainda estava viva, contradizendo os relatos de Madsen de que essas lesões aconteceram durante o esquartejamento, horas após a morte.

Vestígios de sangue coagulado da jornalista foram encontrados na roupa e no corpo de Madsen. O tribunal acredita que o inventor amarrou e torturou a vítima antes de assassiná-la.

A causa da morte não pôde ser estabelecida devido ao tempo que a cabeça permaneceu embaixo d'água. A corte destacou, contudo, que legistas acharam sinais de que as vias respiratórias de Wall foram tapadas, o que reforçaria a hipótese de morte por asfixia.

"Foi um homicídio cínico e brutal de uma jornalista que tinha aceitado dar uma volta no submarino do acusado", afirma o texto da sentença, da qual Madsen anunciou que vai recorrer.

A jornalista Kim Wall, de 30 anos, vivia em Nova York e na China e colaborava para jornais como o britânico The Guardian e o americano The New York Times. Quando desapareceu, ela apurava uma reportagem sobre o inventor dinamarquês.

Madsen já conseguiu lançar foguetes, num projeto visando desenvolver viagens espaciais privadas. Seu submarino Nautilus, inaugurado em 2008, era o maior submarino privado já construído na época em que ele o criou, com a ajuda de um grupo de voluntários.

EK/ap/efe/lusa/rtr

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