AfD não expulsa político que criticou memória do Holocausto

Comitê de arbitragem da sigla populista de direita rejeita pedido da liderança nacional e decide manter Björn Höcke no partido. Em 2017, líder regional chamou Memorial do Holocausto em Berlim de "monumento da vergonha$escape.getQuote().O partido populista de direita alemão Alternativa para a Alemanha (AfD) informou nesta quarta-feira (09/05) que o político Björn Höcke será mantido na legenda, mesmo após declarações polêmicas feitas por ele sobre a cultura da memória do Holocausto no país.

A decisão foi tomada pelo comitê de arbitragem da AfD no estado da Turíngia, no qual Höcke é líder regional do partido. O tribunal interno analisava um pedido de expulsão feito pelo comitê executivo federal da sigla no ano passado, que acabou sendo rejeitado.

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A moção alegava que o político demonstrou "afinidade com o nacional-socialismo" durante um discurso à ala juvenil do partido em janeiro de 2017, quando chamou o famoso Memorial aos Judeus Mortos da Europa, situado no centro de Berlim, de um "monumento da vergonha".

O comitê de arbitragem, no entanto, concluiu que as declarações de Höcke não indicam lealdade à ideologia nazista e que o político não violou intencionalmente os valores do partido. Por isso, não foram encontrados motivos para que ele fosse expulso.

"O pedido de expulsão foi puramente motivado por poder político, uma vez que Björn Höcke não violou nem a Constituição nem os regulamentos da legenda", afirmou Stefan Moeller, porta-voz da AfD na Turíngia.

As declarações inflamatórias de Höcke costumam ganhar destaque na imprensa alemã, mas os comentários em questão, criticando o hábito de relembrar as vítimas do nazismo, geraram controvérsias até mesmo entre os membros de seu próprio partido.

Na ocasião, ele declarou que os alemães são "os únicos do mundo a ter plantado um monumento da vergonha no coração de sua capital", referindo-se ao memorial aos judeus mortos no Holocausto. "Essas políticas estúpidas de enfrentar o passado nos paralisam – tudo que precisamos é de uma virada de 180 graus na política da memória", defendeu.

Mais tarde, Höcke tentou minimizar parcialmente sua declaração, afirmando que quis dizer apenas que a Alemanha está atolada em sua própria vergonha. A justificativa não convenceu, e a liderança nacional da AfD, então sob comando de Frauke Petry, apresentou um pedido de expulsão.

Petry, presidente nacional da sigla na época, disse que Höcke era um "fardo para o partido" em razão de seus "atos isolados não autorizados"."Essa é a conclusão de um processo que já corre há tempos" disse ela, afirmando que o discurso ultrapassou os limites da tolerância democrática.

Os atuais presidentes da AfD, por outro lado, vêm defendendo Höcke. Após a decisão do comitê de arbitragem nesta semana, o colíder Alexander Gauland afirmou apenas que cabe ao comitê executivo federal discutir se deve apelar ou não do veredito.

Fontes do partido, no entanto, disseram à agência de notícias DPA que é improvável que a liderança da AfD leve o caso ao tribunal federal de arbitragem, ou mesmo discuta sobre a questão quando se reunir no próximo mês.

Stefan Möller, porta-voz de Höcke, disse esperar que o comitê federal aceite a decisão do tribunal regional e acabe com as lutas internas do partido que definiram a "era Petry".

Alguns políticos alemães reagiram com indignação ao anúncio da AfD nesta quarta-feira. "Por que esse partido excluiria alguém cujos slogans nacionalistas, racistas, antissemitas e étnicos são nada mais que a base espiritual da AfD?", declarou o deputado social-democrata Burkhard Lischka. Segundo ele, a decisão destacou o fato de que "a AfD depende de homens como Höcke".

Desde sua fundação como um partido eurocético em 2013, a AfD vem conquistando maior êxito político após voltar seu programa para temas nacionalistas e anti-imigração. Nas eleições federais em setembro do ano passado, o partido se tornou a terceira maior força no Parlamento alemão.

EK/afp/dpa/rtr/dw

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