Líder supremo do Irã condena "erro" de Trump

Para Ali Khamenei, presidente cometeu um erro ao retirar os EUA de acordo nuclear. Aiatolá diz não confiar em países europeus e ameça deixar pacto se não receber garantias de que eles não farão o mesmo que Washington.O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, condenou nesta quarta-feira (09/05) a decisão do presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear iraniano, ameaçando romper o pacto se as potências europeias não derem garantias de que é possível mantê-lo.

"Não há lógica em permanecer no acordo se o trio da União Europeia não puder garantir sua implementação", declarou o líder, referindo-se a Alemanha, França e Reino Unido, que assinaram em 2015 o tratado internacional com o Irã e os Estados Unidos, além de China e Rússia.

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Khamenei, que tem a palavra final sobre as decisões de Teerã, disse não confiar nos três países europeus, que defendem que o acordo pode ser mantido mesmo sem Washington.

"Se vocês não puderem dar garantias definitivas agora – e eu realmente duvido que vocês possam –, não podemos continuar assim", declarou o líder, temendo que as potências da Europa façam "amanhã o mesmo que os EUA fizeram" e abandonem o pacto.

Sobre o anúncio de Trump nesta terça-feira, Khamenei descreveu a decisão como "estúpida" e "superficial", mas disse que já esperava por esse desfecho. "Esse comportamento também existia na época dos presidentes [americanos] anteriores", afirmou.

O aiatolá acusou Trump de ter proferido "mais de dez mentiras" em seu discurso, sem especificar quais seriam. "Ele ameaçou o regime e o povo [iranianos], dizendo que eu farei isso e aquilo. Sr. Trump, eu lhe digo em nome do meu povo: você cometeu um erro."

"O corpo deste homem, Trump, vai virar cinzas e ser comido por cobras e formigas, enquanto a República Islâmica [Irã] continuará de pé", acrescentou o líder supremo. "Mesmo após a morte e a decomposição de Trump, o sistema islâmico ainda existirá."

Khamenei, que em 2015 aceitou com relutância o acordo nuclear, afirmou que, mesmo com a assinatura do pacto "as hostilidades contra a República Islâmica não acabaram". "Eu já disse várias vezes: não confiem nos Estados Unidos."

Após muita especulação sobre a decisão americana, Trump anunciou a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã na terça-feira, voltando a impor sanções contra o país. Em discurso, ele classificou o pacto de "horrível" e "unilateral".

No âmbito do acordo, Teerã concordou em controlar seu programa nuclear em troca do fim de uma série de pesadas sanções internacionais. Mas o Irã continuou tendo permissão para desempenhar pequenas atividades nucleares e manter estoques de urânio para fins de pesquisa e medicina.

Essa possibilidade prevista no pacto é o principal alvo de ataque do governo de Trump, que alega que ela somente atrasaria, mas não o impediria o desenvolvimento de uma bomba nuclear.

A reação de Khamenei à decisão foi um tanto mais agressiva do que a do presidente iraniano, Hassan Rouhani, que na véspera comunicou que enviaria seu ministro do Exterior para negociar com os países que ainda seguem no acordo.

"Se alcançamos os objetivos do acordo com outros membros, ele continuará valendo", afirmou o presidente, ameaçando, porém, reiniciar seu programa de enriquecimento de urânio "sem limites" nas próximas semanas caso as negociações não tiverem resultado.

"Saindo do pacto, os Estados Unidos minaram oficialmente seu comprometimento com tratados internacionais", acrescentou Rouhani, que classificou a decisão americana de uma "guerra psicológica" contra o Irã.

Bandeira queimada

O anúncio de Washington foi condenado por outras lideranças iranianas nesta quarta-feira. Em sessão no Parlamento, legisladores iranianos, incluindo um clérigo xiita, queimaram uma bandeira dos Estados Unidos e gritaram "morte à América". Eles também tocaram fogo em um pedaço de papel que simbolizava o pacto nuclear.

Embora a queima de bandeiras americanas seja comum no Irã e as duras críticas a Washington tenham sido um marco da política parlamentar iraniana durante anos, analistas políticos acreditam que essa foi a primeira vez em que uma bandeira dos EUA foi queimada dentro do Parlamento.

Para muitos conservadores do Irã, por sua vez, a decisão de Trump foi justificável. "Saúdo a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear. Ficou claro desde o início que os EUA não são confiáveis", afirmou o general Mohammad Ali Jafari, chefe da Guarda Revolucionária do Irã.

Segundo ele, a questão nuclear era apenas um pretexto para reduzir as capacidades defensivas do Irã, bem como "o poder e a influência da revolução islâmica na região".

EK/afp/ap/dpa/efe/lusa

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