Violência marca abertura de embaixada dos EUA em Jerusalém

Solenidade de inauguração é ofuscada por violenta repressão a protestos de palestinos em Gaza e outros territórios, com dezenas de mortos. Trump diz que EUA estão comprometidos com paz na região.Os Estados Unidos inauguraram nesta segunda-feira (14/05) sua embaixada em Jerusalém, desencadeando protestos violentos em Gaza e dezenas de mortes entre milhares de manifestantes palestinos.

Paralelamente às festividades da abertura da embaixada, localizada inicialmente na sede do consulado americano em Jerusalém, ativistas palestinos entraram em confronto com tropas israelenses nos arredores da cidade. Testemunhas afirmam que soldados abriram fogo e utilizaram bombas de gás lacrimogêneo.

Leia também: Perguntas e respostas sobre o status de Jerusalém

Em Gaza, o Ministério da Saúde local afirmou que o número de mortos pelo Exército israelense perto da fronteira chegou a 37, fazendo com que este seja o dia mais mortal na região desde a guerra de 2014 com Israel. Segundo o ministério, 448 pessoas sofreram ferimentos a bala, enquanto outras centenas apresentaram danos causados por bombas de gás e outras causas.

As mortes desta segunda-feira aumentaram para 79 o número de vítimas fatais de soldados israelenses na fronteira de Gaza desde o início de protestos de grande porte em março, quando mais de 2 mil residentes foram feridos por tiros israelenses.

Em Ramallah, na Cisjordânia, milhares de pessoas se concentraram em manifestações contra a transferência da embaixada.



A cerimônia de abertura

o presidente americano, Donald Trump, anunciou a transferência da embaixada para a Cidade Santa em dezembro de 2017, cumprindo uma promessa eleitoral. A decisão rompeu com a política externa americana tradicional e foi amplamente criticada. O consenso internacional continua sendo que o status de Jerusalém deveria ser parte das negociações entre as lideranças israelenses e palestinas.

Em mensagem gravada exibida durante a abertura da embaixada, Trump disse que os Estados Unidos permanecem totalmente comprometidos a alcançar uma paz duradoura no Oriente Médio.

A filha de Trump, Ivanka, e seu marido, Jared Kuschner, lideram a delegação do governo americano presente na solenidade de abertura, que contou com a presença do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e cerca de 800 convidados.

O embaixador americano em Israel, David Friedman, também falou na cerimônia, descrevendo a localização da embaixada como "Jerusalém, Israel" e sendo aplaudido em seguida.

Jerusalém dividida

"Paradoxalmente, a mudança da embaixada não tem impacto direto sobre a cidade. Mas, por outro lado, tem enormes consequências", comenta o advogado israelo-americano Daniel Seidemann, fundador da ONG Terrestrial Jerusalem.

"Hoje, Jerusalém é mais dividida, menos sustentável, mais contestada do que em qualquer outra época. Transferir a embaixada para cá não vai mudar esse fato. Dito isso, há ramificações gigantescas, pois passa um atestado de óbito para a capacidade americana de mediar nos processos políticos das relações israelo-palestinas."

Embora conste que a administração Trump está trabalhando num novo plano de paz, ela tem dado sinais ambivalentes sobre suas intenções com Jerusalém, que continua disputada por israelenses e palestinos.

Em sua primeira viagem a Israel, em abril, o recém-nomeado secretário de Estado, Michael Pompeo, reiterou que "as fronteiras da soberania israelense em Jerusalém permanecem sujeitas a negociações entre as duas partes". Em janeiro, contudo, Trump declarara: "Nós tiramos Jerusalém da mesa de discussões. Não conversamos mais a respeito."

A Autoridade Palestina criticou severamente a decisão do governo Trump sobre Jerusalém, recusando-se a dialogar com altos funcionários de Washington, desde então. Os palestinos apelaram a outras missões diplomáticas para que boicotassem o evento desta segunda-feira.

RC/rtr/ap/afp

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