Gaza enterra mortos em meio a temores de mais violência

Palestinos lidam com consequências de protestos contra embaixada dos EUA em Jerusalém, que resultaram no dia mais violento na região desde a guerra com Israel em 2014. Exército israelense defende repressão.Após a violenta repressão das forças israelenses a protestos contra a abertura da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, que deixou 60 mortos, a Faixa de Gaza é palco de dezenas de enterros nesta terça-feira (15/05).

Pela manhã, tropas israelenses tomaram suas posições em meio a temores de um novo dia de conflitos na fronteira com o território palestino, que lembra neste dia a Nakba, ou "catástrofe", em referência à ocupação de seu território por Israel em 1948.

Leia também: Nakba, a catástrofe do êxodo palestino

Esta segunda-feira se tornou o dia mais sangrento na região desde a guerra contra Israel em 2014. Foi ainda o ápice de seis semanas de manifestações da chamada "a grande marcha de retorno", que pede o acesso de palestinos a terras que eram sua propriedade antes de 1948, atualmente em território israelense.

O Ministério da Saúde de Gaza afirma que entre os mortos nesta segunda-feira estão sete menores de idade, incluindo um bebê de oito meses, morto por inalação de gás lacrimogêneo.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, convocou três dias de luto oficial e uma greve geral em resposta à violência.

Sobrecarga nos hospitais

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que o grande número de manifestantes feridos durante os conflitos na fronteira gerou uma sobrecarga no sistema de saúde de Gaza.

Citando dados do Ministério da Saúde local e de agências de assistência médica, a OMS afirma que 2.771 pessoas ficaram feridas nesta segunda-feira. Destes, 1.360 sofreram ferimentos de armas de fogo, 400 por estilhaços e 980 por inalação de gás.

Cerca de 1,8 mil feridos buscaram ajuda hospitalar, sobrecarregando os já superlotados hospitais da região, que sofre com a escassez de remédios e cortes no fornecimento de energia.

O Exército israelense defendeu suas ações, afirmando que seus soldados apenas seguiram "procedimentos operacionais padrão" com a intenção de evitar que os palestinos rompessem as barreiras de fronteira.

Em outras partes do território palestino, aviões israelenses bombardearam 11 alvos do grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, enquanto tanques atacavam outras duas posições da organização.

"As Forças de Defesa de Israel (IDF) continuarão a operar com determinação para evitar ataques terroristas em massa que vêm sendo amplamente orquestrados pela organização terrorista Hamas", afirmou o Exército de Israel em nota.

Hamas culpa Trump pelas mortes

O Hamas atribuiu a culpa pelas dezenas de mortes de palestinos nesta segunda-feira ao presidente americano, Donald Trump, que determinou a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. A cidade é reivindicada por tanto por israelenses quanto palestinos como a capital de seus Estados.

A mudança da sede diplomática significa um reconhecimento dos EUA dos direitos de Israel sobre a Cidade Santa, embora seu status internacional nunca tenha sido definitivamente resolvido. O anúncio da transferência da embaixada, em dezembro passado, gerou condenações em todo o mundo.

Autoridades internacionais acusaram Israel de abusar da força contra os manifestantes, resultando no grande número de mortos. O Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta terça-feira para discutir a situação em Gaza.

Os EUA, porém, já teriam bloqueado uma declaração conjunta dos países que compõem o órgão pedindo uma investigação independente sobre os atos de violência, disse um diplomata à agência de notícias dpa.

Crise humanitária

No dia da Nakba, os palestinos lamentam as centenas de milhares de pessoas que tiveram de fugir ou foram expulsas de suas terras durante a violência em torno da criação de Israel, que entrou em guerra com seus vizinhos árabes em 1948.

Autoridades palestinas de saúde dizem que, desde o início da "grande marcha", no dia 30 de março, 104 cidadãos de Gaza foram mortos. Nenhuma morte foi registrada entre israelenses.

Mais de 2 milhões de pessoas se acumulam na estreita Faixa de Gaza, bloqueadas de um lado pelo Egito e, do outro, por Israel. A região atravessa uma grave crise humanitária.

RC/ap/rtr/dpa/afp

_______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Receba por e-mail as principais notícias sem pagar nada.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos