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Merkel e Xi Jinping defendem maior cooperação bilateral

24/05/2018 15h46

Alvos de política protecionista dos EUA, Alemanha e China demonstram unidade em encontro em Pequim. Líderes dos dois países defendem ordem mundial multilateral e manutenção de acordo nuclear com o Irã.Alemanha e China concordaram nesta quinta-feira (24/05) em ampliar a cooperação bilateral. Durante um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, defendeu uma maior abertura do mercado do país asiático.

Durante o encontro, Merkel e Xi demostraram amizade e unidade. Xi afirmou que a relação entre os dois países alcançou uma amplitude e profundidade sem precedentes. O presidente disse que Pequim abrirá mais suas portas a empresas alemãs.

Merkel, por sua vez, destacou que o acesso ao mercado e condições iguais para ambos os lados continuarão tendo um grande papel na relação entre os países. "O mundo muda rapidamente. Por isso, não podemos descansar com o que alcançamos", acrescentou.

A Alemanha e a China, dois países exportadores que possuem um superávit comercial com os Estados Unidos, se encontram na linha de fogo das políticas protecionistas do presidente americano, Donald Trump, e lutam para preservar a ordem multilateral na qual sua prosperidade está baseada.

Em sua mais recente manobra comercial, Trump anunciou nesta quarta-feira uma investigação sobre a importação de carros e caminhões, que pode resultar num aumentos das tarifas sobre esses produtos.

Países europeus temem ainda que suas exportações para China sejam afetadas, com o país asiático sendo forçado a comprar mais dos Estados Unidos para aliviar as atuais tensões comerciais.

"A China e a Alemanha defendem o multilateralismo e estão comprometidas com o comércio justo e livre", afirmou Merkel.

Ela pediu avanços nas negociações sobre um acordo de proteção a investimentos entre União Europeia e China, que poderia servir de base para um acordo de livre comércio no futuro.

Acordo com Irã

Em sua visita a Pequim, a chanceler federal alemã se reuniu também com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. O acordo nuclear com o Irã, alcançado entre Teerã e o grupo P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha) em 2015, foi um dos temas da reunião.

Os países europeus, a Rússia e a China tentam salvar o pacto após a recente saída dos Estados Unidos e procuram meios para continuar oferecendo benefícios econômicos a Teerã em troca da limitação do programa nuclear iraniano, apesar das sanções americanas.

Merkel reconheceu que o acordo nuclear não é perfeito, mas que as alternativas a ele são ainda menos seguras. Por isso, é melhor se ater ao pacto atual, disse a chanceler.

Sem citar a Coreia do Norte, Li afirmou que a decisão americana pode ter consequências para outras tentativas de solucionar conflitos de maneira pacífica. O acordo nuclear iraniano era considerado um modelo para um possível pacto com Pyongyang.

No encontro, Merkel afirmou ainda que a Alemanha deseja continuar o diálogo bilateral sobre os direitos humanos na China. Li disse que a China espera encontrar uma solução adequada em relação a "casos isolados". A Anistia Internacional pediu que a líder alemã assumisse uma postura engajada sobre a questão dos direitos humanos no país asiático.

No segundo dia de sua viagem oficial à China, Merkel participará nesta sexta-feira da abertura de um centro de inovação da Câmara de Comércio Exterior da Alemanha, em Shenzhen, no sul do país, e visitará uma fábrica da Siemens na cidade.

CN/dpa/rtr/afp

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