Milhares protestam contra e a favor da AfD em Berlim

Na capital alemã, cerca de 25 mil pessoas saem às ruas pacificamente contra marcha do partido populista de direita, crítico da política migratória de Merkel e da "islamização" do país. Manifestantes defendem diversidade.Protestos contra e a favor do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) reuniram milhares de pessoas em Berlim neste domingo (27/05). Sob o lema "Chega de ódio", manifestantes antirracismo saíram às ruas da capital alemã, enquanto políticos da AfD alertavam perante seguidores para uma "islamização" do país.

"O reinado desse islã na Alemanha não é nada mais que o reinado do mal", disse a parlamentar da AfD Beatrix von Storch em discurso para apoiadores do partido. Na sequência, Alexander Gauland, copresidente da legenda, declarou que os partidos estabelecidos "amam os estrangeiros, e não a gente, vocês, os alemães".

A AfD estimou o número de participantes da manifestação em cerca de 5 mil. O lema adotado pelos populistas de direita para o protesto foi "Futuro para a Alemanha", tendo como principal alvo a política de refugiados do governo da chanceler federal Angela Merkel.

Manifestantes vindos de vários estados portavam bandeiras do país e cartazes com as palavras "o islã não faz parte da Europa", entoando as palavras "Fora, Merkel".

"Eu vim aqui hoje porque não posso mais continuar assim com a Merkel. Não pode ser que o governo desperdice todo esse dinheiro com refugiados enquanto nossos idosos vivem na pobreza", disse o manifestante Christian Neubauer, membro da AfD.

Durante a marcha dos populistas de direita, que partiu da estação de trem central e foi até o Portão de Brandemburgo, manifestantes contrários gritavam: "Fora nazistas!". Cerca de 25 mil pessoas participaram dos protestos contra a AfD, estima a polícia.

Uma associação pró-refugiados, sindicatos e outros grupos convocaram um total de 13 protestos contra a AfD. Uma das organizadoras disse que o objetivo era mostrar que Berlim permanece "diversa, tolerante e aberta".

Um dos protestos mais coloridos anti-AfD foi organizado por cerca de cem clubes da cena techno de Berlim, que usaram barcos e botes para navegar pelo rio Spree, no coração da cidade, e um comboio de cerca de 30 carros de som.

"A cultura dos clubes de Berlim é tudo o que os nazistas não são. Somos progressistas, queer, feministas, antirracistas, coloridos e temos unicórnios", disseram em comunicado.

Dois mil policiais foram encarregados de garantir a segurança durante as manifestações neste domingo. A polícia informou ter bloqueado pontes na área que abriga prédios do governo na capital para evitar que os manifestantes das duas vertentes se encontrassem. Não houve confrontos entre os dois grupos.

De acordo com um porta-voz da polícia, houve confrontos entre manifestantes e forças de segurança num protesto contrário à AfD que partiu do bairro de Kreuzberg com direção a Mitte. Policiais usaram spray de pimenta para evitar que manifestantes rompessem barreiras entre diferentes aglomerações.

Partidos estabelecidos x AfD

Representantes dos partidos A Esquerda e Verde anunciaram sua participação dos protestos anti-AfD. Às vésperas das manifestações, o líder do Partido Verde, Robert Habeck, criticou a postura dos demais partidos perante a AfD. "O medo do populismo de direita leva os políticos a cometerem erros estúpidos", disse.

Annegret Kramp-Karrenbauer, secretária-geral da União Democrata Cristã (CDU), o partido de Merkel, acusou a AfD de levar antissemitismo ao Bundestag (Parlamento alemão).

"Antigos nazistas, neonazistas e populistas de direita não veem as pessoas em sua dignidade como indivíduos. Essas pessoas são uma ameaça para a vida dos judeus na Alemanha", escreveu num artigo publicado pelo jornal Bild am Sonntag.

Graças ao resultado das eleições gerais de setembro passado, quando a AfD conquistou 12,6% dos votos, esta é a primeira vez em décadas que o Bundestag tem um partido populista de direita em suas fileiras.

Fundada em 2013 como um partido eurocético, a AfD capitalizou votos em meio à crise migratória na Alemanha, que recebeu mais de um milhão de requerentes de refúgio desde 2015.

A marcha deste domingo é a primeira demonstração pública da força da legenda desde que se tornou a maior bancada da oposição no Parlamento, com mais de 90 assentos.

LPF/afp/dpa/epd

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