Trump recebe braço-direito de Kim Jong-un

Kim Yong-chol leva carta de líder norte-coreano ao presidente americano. Essa é a primeira vez em 18 anos que um alto representante da Coreia do Norte visita a Casa Branca.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta sexta-feira (01/06) na Casa Branca o "segundo no comando" da Coreia do Norte, Kim Yong-chol, que entregou ao líder americano uma carta do ditador norte-coreano, Kim Jong-un.

Trump se reuniu no Salão Oval da Casa Branca com o braço-direito de Kim, que viajou para Washington depois de dois dias de reuniões em Nova York com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. Essa é a primeira vez que um alto representante da Coreia do Norte visita a Casa Branca desde 2000, quando o militar Jo Myong-rok teve um encontro com o então presidente Bill Clinton.

Kim Yong-chol foi recebido por John Kelly, chefe de gabinete da Casa Branca, antes de entrar na residência presidencial americana. Na carta, segundo antecipou o jornal The Wall Street Journal, o líder norte-coreano expressou seu interesse em reunir-se com Trump, sem fazer concessões nem ameaças.

Depois de troca de ameaças e insultos, que elevaram a tensão entre Pyongyang e Washington a níveis inéditos desde o fim da Guerra da Coreia (1950 a 1953), Trump e Kim começaram a buscar neste ano uma solução diplomática e anunciaram uma cúpula em Cingapura, marcada originalmente para o dia 12 de junho.

O presidente americano, no entanto, cancelou no fim do mês passado a reunião, alegando hostilidade de Pyongyang, após esta responder comentários de membros do governo americano, segundo os quais o processo de desnuclearização da Coreia do Norte poderia seguir o modelo da Líbia. A carta de Kim é vista como um sinal de que o encontro deve ocorrer como o previsto.

O enviado da Coreia do Norte, Kim Yong-chol, é uma das figuras atingida pelas sanções impostas pelo EUA e pela ONU. Ele foi acusado pela Coreia do Sul de ser o mentor de ataques a um navio da marinha sul-coreana, que matou 46 marinheiros, e a uma ilha em 2010. Ele também estaria envolvido na invasão cibernética da Sony Pictures em 2014. A Coreia do Norte nega qualquer envolvimento nestes incidentes.

Durante quase 30 anos, Kim Yong-chol trabalhou para serviço de inteligência da Coreia do Norte. O atual braço-direito do líder norte-coreano foi ainda guarda-costas de seu pai, Kim Jong-il. Ele entrou para a lista negra americana por apoiar os programas nucleares e de mísseis em 2010 e 2016, sendo proibido de visitar os Estados Unidos. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, ele recebeu uma permissão para viajar ao país para as reuniões desta semana.

CN/efe/rtr/afp

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