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O Brasil na imprensa alemã (20/06)

20/06/2018 13h49

Destaque absoluto para o futebol nesta semana, com as razões do desinteresse brasileiro pela Copa do Mundo, o "fominha" Neymar. E um pacote de salsichas - possivelmente - racista.Frankfurter Allgemeine Zeitung – A vergonha do Brasil, 16/06/2018

O que é que há com os brasileiros? A seleção nacional ressuscitou da crise e vai brilhando de vitória em vitória. Está superado o 7 a 1 na semifinal contra a Alemanha, no Mundial em casa, quatro anos atrás; secaram as lágrimas amargas dos sonhadores; e o fato de que sua superioridade futebolística é indiscutível está tão presente como nos melhores tempos.

E no entanto quase nenhum brasileiro se interessa pela recém-começada Copa do Mundo na Rússia, na qual sua seleção – como de praxe, aliás – está entre as favoritas. Uma pesquisa realizada na mesma época a cada quatro anos desperta a atenção: 53% dos consultados afirmam não ter interesse no Mundial, apenas 18% classificam seu interesse como grande. Nunca os brasileiros estiveram tão avessos ao megaevento esportivo.

O momento não é para alegria de futebol no Brasil. Talvez ela chegue nas próximas semanas, mas atualmente predominam outros problemas, além do tornozelo de Neymar ou o tempo no Mar Negro, onde residem os bem-pagos astros da Seleção. O país se encontra numa crise econômica profunda e persistente. [...]

Porém a crise do Brasil é mais do que de natureza econômica, ela é política e social. Ela deixou os brasileiros abalados e enraivecidos, com as instituições, mas também consigo mesmos. O pavio dessa crise foi, interessantemente, a Copa do Mundo, quatro anos atrás. [...]

Os brasileiros sentiram asco crescente contra a Copa do Mundo em seu próprio país. Pois eles viram do que o Estado era capaz quando queria. Eles viram quanto ele fazia para a Fifa, e quão pouco para a população. [...] E viram que mesmo essa ocasião era desvirtuada pelos poderosos, para se enriquecerem. [...]

Em 2014 os brasileiros desenvolveram um sentimento de vergonha por seu atraso. E essa vergonha hoje não permite que muitos se alegrem pela Copa do Mundo. Para muitos, a ocasião parece insignificante e sem sentido demais diante dos verdadeiros problemas. Eles querem mudar, se livrar do velho Brasil e seu jeito relaxado, e isso inclui também a alegria superficial de um jogo de bola.

Na realidade, esse é um bom sinal. E no entanto dá vontade de que os brasileiros se permitam distrair-se um pouco, mesmo que só por um mês. A alegria do futebol, em si, não é nada de ruim. Até porque este ano a corrupção está por conta dos russos.

KIcker – Individualismo de Neymar incomoda o país, 20/06/2018

Indagado o que quer dizer "fominha", um brasileiro responderá: alguém que não passa a bola, que chuta para o gol, embora todos os outros estejam em posição melhor. Portanto alguém que, num esporte de equipe, prefere de longe ser individualista. "Neymar, o fominha" é o que se lê, vê e escuta cada vez mais na mídia brasileira, desde o decepcionante 1 a 1 do domingo contra a Suíça. [...]

Contra a Suíça, Neymar procurou 28 vezes (!) o drible, mas do que o dobro que Willian, atrás dele no ranking. A concentração da defesa nele teoricamente cria lacunas; na prática, porém, ele, seu corpo, e com isso também a bola, ficam presos com frequência excessiva nas pernas do adversário. [...]

Antes do Mundial, o craque veterano Careca já manifestara desaprovação. "Acho que ele deveria jogar de modo mais coletivo, porque assim também fica mais fácil para ele mostrar desempenho. Ele é caçado e por isso precisa entregar a responsabilidade."

Neymar se defendeu: "Eles me chutam, eu jogo futebol. Eles me provocam, mas também eu seu fazer isso, do meu jeito, com a bola", comentou o jogador de 26 anos, em tom mais de desafio.

Que agora a lesão vá detê-lo, ao contrário de muitos de seus adversários, é antes improvável. Na quarta-feira, Neymar estava de volta ao treino.

Bento.de – Brasileiros como salsichas marrons: esse pacote é racista?, 20/06/2018

O fabricante de salsichas Grillido está vendendo atualmente nos supermercados alemães um produto voltado a recordar a semifinal da Copa do Mundo 2014, quando o anfitrião Brasil perdeu para a Alemanha por 7 a 1.

A Grillido celebra a ocasião com um pacote de salsichas: sete brancas e uma marrom. Vê-se também o desenho de um brasileiro chorando. Um usuário do Twitter documentou a embalagem e a considera racista. "Porque na Alemanha todos são brancos, e no Brasil todos marrons, entenderam?", ironiza.



[...] Parece que os responsáveis da companhia simplesmente embutiram os clichês mais comuns numa salsicha e acham o resultado divertido. A própria Grillido parece ter consciência da provocação: nos spots de publicidade, smileys gargalhantes apresentam a salsichada como "o pacote mais grosso da história do Mundial".

[...] "A cor é culpa dos ingredientes", explicou [o diretor da firma] Michael [Ziegler], "não tem nada a ver com racismo.

Assim, a "salsicha Brasil" é recheada de carne de vaca, queijo emental e chili, e a "salsicha Alemanha", de carne de porco, chucrute e carne defumada. Uma fica amarronzada, a outra, justamente, branca. "Nossa salsicha francesa é esverdeada, por causa das ervas", diz Michael, "ninguém vai pensar em cor da pele".

Ele lamenta que alguns usuários estejam se sentindo agredidos. "Com certeza a gente não queria pisar no calo de ninguém." No pacote Brasil-Alemanha, "só se tratava de uma vitória no futebol".

AV/ots