PUBLICIDADE
Topo

A ilha de encontros românticos da realeza prussiana

Clarissa Neher

25/06/2018 05h47

Antigo criadouro de coelhos transformado em residência real de verão em 1794 é um dos passeios preferidos dos berlinenses. Patrimônio Mundial da Humanidade, ilha preserva castelo de seus tempos áureos.A pequena ilha ao sudoeste de Berlim, no meio do rio Havel, costuma passar despercebida em guias turísticos, no entanto, a Ilha do Pavão, que viveu tempos áureos durante o reino de Frederico Guilherme 2º da Prússia, é uma viagem no tempo e um pequeno oásis de tranquilidade no meio da agitada capital alemã.

Seu primeiro uso pouco remete a seu nome: na ilha durante a segunda metade do século 17 eram criados coelhos. Somente em 1794, Frederico Guilherme 2º resolveu transformar o antigo criadouro numa residência de verão para encontros secretos com sua amante, Guilhermina Enke. Como ninho dos pombinhos, o rei mandou construir um castelo inspirado em modelos ingleses e franceses.

Uma das exigências aos arquitetos era que o castelo branco, de dois andares, fosse construído com madeira prussiana. Para quem não conhece essa história e visita a ilha pela primeira vez, o castelo parece ser uma imitação barata do "castelo de verdade", mas não, ele realmente foi construído como está até hoje lá.

Guilhermina, claro, participou ativamente nos planos para a construção, escolhendo inclusive a decoração e os móveis. Porém, ela não pôde usufruir dele, pois Frederico Guilherme 2º morreu pouco antes da entrega da obra, e a amante real foi mandada para exílio pelo sucessor do rei, Frederico Guilherme 3º.

Além do castelo, Frederico Guilherme 2º mandou também construir na ilha um espaço para a criação de vacas leiteiras que deveria parecer uma ruína de um antigo convento.

Ao assumir o trono, Frederico Guilherme 3º transformou a ilha numa residência de verão da família real. Sob seu comando, o local virou uma espécie de fazenda ornamental. Após a morte da rainha Luísa, em 1810, o rei construiu um monumento em homenagem à esposa na ilha. Além disso, diversas novas construção surgiram na região, inclusive um minizoológico, que chegou a possuir cerca de 800 animais.

O sucessor de Frederico Guilherme 3º, Frederico Guilherme 4º, não era fã do minizoológico e, em 1844, doou os animais ao primeiro zoológico da Alemanha, o de Berlim. Com a mudança no trono, a ilha foi ignorada pela família real.

Ela só voltaria aos holofotes em 1936, quando foi palco de uma festa de encerramento dos Jogos Olímpicos de Berlim. Atualmente, a ilha é um parque e, desde 1990, faz parte da lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade. O local é também um destino de passeio bem popular entre os berlinenses.

Para chegar até a Ilha do Pavão, há uma balsa que sai da rua Pfaueninselchaussee 100 a cada 15 minutos. A passagem custa 4 euros.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

----------------

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram